MC Ryan e MC Poze do Rodo passaram a ser investigados pela Polícia Federal no âmbito de uma operação que apura um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado a rifas clandestinas e jogos ilegais. Segundo a PF, a ação teria movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão, com cumprimento de mandados em oito estados e no Distrito Federal, incluindo prisões realizadas em São Paulo e no Rio de Janeiro.
De acordo com os investigadores, o esquema funcionava a partir da inserção de valores obtidos de forma ilícita no sistema financeiro formal, por meio de transações pulverizadas e mistura com receitas de shows, publicidade e contratos digitais. Em um dos exemplos citados, R$ 5 milhões eram fracionados em centenas de transferências menores, estratégia que, segundo a PF, dificultava o rastreamento dos valores.
Em depoimentos e áudios obtidos na investigação, os agentes apontam a participação de intermediários responsáveis por estruturar empresas e movimentar o dinheiro. Em um dos trechos revelados, um diálogo cita a negociação de publicidade: “Já que é seu amigo, eu cobro R$ 300 [mil]. Mas se não for muito seu amigo, pode falar que é R$ 400 [mil]”, diz um dos áudios atribuídos ao artista MC Ryan.
O delegado da PF Roberto Costa da Silva afirmou que os investigados tinham papel central na engrenagem financeira. “Eles tinham um papel importante no esquema de lavagem de dinheiro. Eram eles que detinham as contas utilizadas para que o dinheiro obtido de maneira ilícita pudesse circular”, disse. Ele acrescentou que a visibilidade dos artistas nas redes sociais ampliava o alcance do esquema: “As redes sociais são utilizadas para captar seguidores e isso impulsiona o fluxo financeiro”.
A investigação também aponta a atuação de um contador como peça-chave na estruturação do suposto esquema, além da movimentação de criptomoedas e empresas de fachada. A PF afirma ainda que há indícios de ligação com atividades criminosas como tráfico de drogas e jogos ilegais. Em nota, as defesas dos investigados negam envolvimento com qualquer atividade ilícita e afirmam que todas as movimentações financeiras têm origem legal.



