Confesso que já procurei com historiadores, escritores e professores, a denominação de vários bairros e becos em Manaus. Um exemplo é o Bairro do Céu. De onde veio esse nome? Existem nomes de ruas em Manaus, que não temos a menor ideia quem foi o homenageado com o nome posto no logradouro, seja rua. Avenida, praça, largo, travessa. Os becos têm quase sempre nomes muito mais autênticos.
Os bairros nascem, espontaneamente em torno de uma igreja, como o da Praça 14, Matinha, Cachoeirinha, Educandos. Há, pois, uma necessidade pedagógica de se colocar abaixo do nome, na placa, algumas indicações mínimas do titular que designa o logradouro, como a sua principal atividade profissional, cargo de relevo, liderança política, militar, religiosa, social ou literária, ainda se possível data de nascimento e de falecimento. Sugiro indicativos, necessariamente esclarecedores, que identifiquem o homenageado. Lembro-me que quando morava na Rua Silva Ramos, várias pessoas perguntavam quem foi Silva Ramos? Nome ou sobrenome comum a muitas pessoas.
Pois bem, considero que existe ou deva existir uma razão que justifique a homenagem urbana a uma personalidade. É a síntese dessa razão nominativa que deve acompanhar a placa. No caso da Rua Marques de Santa Cruz no centro de Manaus, poderíamos saber qual a sua solidariedade ou qual sua contribuição a Manaus ou ao Amazonas? A busca dos complementos explicativos, sintéticos e precisos, deverá ser um trabalho conjunto da Câmara Municipal, Prefeitura, Instituto Geográfico e Histórico, guarda maior de nossa memória coletiva e das nossas tradições.
A sugestão deverá incluir a participação comunitária dos moradores das respectivas ruas já nomeadas, como também induz o trabalho de pesquisa. Para os logradouros que portam o nome de pessoas vivas, colocar-se-ia o principal título – presidente, governador, prefeito, parlamentar, militar, professor, padre, escritor, poeta, cantor e outros. A Cidade de Manaus poderia possuir placas de ruas mais explicativas, inspirando-se em Lisboa e em outras cidades.
Um projeto de lei municipal ajudaria a melhor denominar as ruas. Becos como frisei no início, têm mais autenticidade com o nome, por exemplo, Beco da Paz, Bairro do Céu. Mas as construtoras, isso falando em prédios, americanizaram o nome de seus prédios e condomínios. Exemplo: Central Park, com torres East, West Side, New York e Columbus, Weekend Club, Reserva Inglesa, com torres, London e Liverpool, Paradise Lake, e tantos outros. Era melhor usar o nome em língua portuguesa, ou em caboquês mesmo.
Espaço Crítico
Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Universidade Federal do Amazonas, mestrado em Administração Pública também pela UFAM e doutorado pela Universidade de Barcelona na Espanha. Foi Secretário Municipal de Administração, Diretor de Planejamento do Tribunal de Contas do Amazonas, e atualmente é Consultor de Empresas com ênfase em Planejamento Estratégico.
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