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Espaço Crítico

Tudo igual como Dantes no quartel de Abrantes

Espaço Crítico
Por Flávio Lauria
13/07/2026 20h04 — em Espaço Crítico

De que serve um angélico sorriso para desfazer o vitupério escatológico dos farisaicos políticos? Estamos herdando a pecúnia designando numerário, que significa gado, e somos tidos como animais irracionais, cuja moeda nos é dada igual ao capim. O salário-mínimo, está em R$ 1.621,00 e vai em janeiro de 2027, para R$ 1.717,00. Que necessidades vitais são essas como preceitua o artigo sétimo da Constituição? Por infelicidade nossa, a classe capitalista domina a massa proletária por interposição dos poderes sociais, jurídico e econômico.

A Rui Barbosa, uma das maiores faculdades intelectuais brasileiras, os políticos pouco davam atenção, e os de pouca instrução o ignoravam. Apenas os de cultura literária o admiravam. Pela extremada conduta que exerceu e a coragem continuadamente tida em dizer a verdade, era limitada sua votação, não aceitando as trapacices eleiçoeiras arquitetadas por aviltantes candidatos. Infelizmente, os Três Poderes violam o cumprimento constitucional quando é contra o interesse deles. E o que Rui dizia, hoje não é respeitado. “Onde quer que haja um direito violado, há de haver um recurso judicial para debelação da injustiça”. O nosso desditoso povo vive fermentado pelo desprezo da capciosa política.

O excesso de juridicidade, como atualmente está ocorrendo, contraproducente. “Faça-se justiça, porém de modo mais humano possível, para que o mundo progrida, e jamais pereça”, como bem pensou Rodolf Stammler. O juiz mui rígido na administração da justiça ofende a prudente intenção do legislador, e incomoda os povos. No Brasil, quem é importante tem privilégio.

Quem não o é, vai condenado, mesmo que nada tenha cometido. Atualmente vivemos em meio de uma política de castrados morais. Se forem retiradas as vantagens do básico do funcionário concursado, alguns já aposentados, vão receber menos ou igual ao salário-mínimo. No rodapé dos comprovantes de rendimentos dos funcionários aposentados, ou não, é observado que o servidor colabore com suas ideias através do E-mail. Isso jamais será aceito.

O aumento do mínimo poderia sim ser para R$ 2.800,00. Teria também um aspecto de justiça, pois deputados e senadores acabaram de aprovar para eles mesmos um forte aumento no salário, contando com cerca de R$ 350 mil por mês, compreendendo um salário de modestos R$46.366,19, mais verba de gabinete, verba indenizatória, auxílio-moradia, passagens aéreas, despesas com telefone e postagem de cartas, carros oficiais com motorista, plano de saúde nacional e internacional e outras vantagens.

Pois alguns reais a mais para mim ou para você que me lê podem não significar nada. Mas, para muita gente serão preciosos pães a mais na mesa e preciosos litros de leite a mais na geladeira. Curioso: diferentemente dos parcos reais do salário-mínimo, os fartos reais da remuneração dos parlamentares e outras castas brasileiras, não causam dano às contas públicas.

Será que no Brasil os números não são frios, como se diz costumeiramente, mas, muito caprichosos? E o Judiciário? com corte nos penduricalhos, mas nem tanto, chegando ao salário de R$ 72.000,00. Sendo permitido pelo CNJ, compor as verbas indenizatórias, auxilio saúde, auxilio moradia, ajuda de custo em caso de remoção, diárias, indenização de férias, ou seja, tudo igual como dantes no quartel de Abrantes, em outras palavras, “nada mudou”.

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Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Universidade Federal do Amazonas, mestrado em Administração Pública também pela UFAM e doutorado pela Universidade de Barcelona na Espanha. Foi Secretário Municipal de Administração, Diretor de Planejamento do Tribunal de Contas do Amazonas, e atualmente é Consultor de Empresas com ênfase em Planejamento Estratégico.

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