Não há tecnologia que dispense a formação básica de qualquer cidadão. Embevecido com as múltiplas possibilidades da era da informática, o brasileiro pula etapas fundamentais do conhecimento. Para não ser um analfabeto funcional, ele se esmera em cursos específicos da sua área. No entanto, sem dominar principalmente o português e a matemática, enfrentará situações críticas ao longo da vida e seu crescimento profissional ficará comprometido.
A rapidez e a facilidade das operações nas máquinas residenciais (computadores) e comerciais simplificaram a vida das pessoas que passaram a desprezar o domínio dos conhecimentos básicos da escola. Saber, na ponta da língua, a capital de todos os países, os fatos fundamentais (a antiga tabuada), os momentos principais da história mundial e do Brasil e as classes de palavras com suas flexões, além da conjugação e regência dos verbos virou coisa do passado, mas que chama o presente para uma reflexão. Amargamos um péssimo resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que vem tentando conscientizar as pessoas para o que se tem feito nas escolas com o conhecimento. E a lição comprova.
O Instituto Dom Barreto, fundado por freiras e sem fins lucrativos, foi considerado o melhor colégio do país, segundo o Enem, com 74,17 pontos de média. Fica, no entanto, em Teresina, capital do Piauí, estado reconhecidamente um dos mais pobres da Federação. Qual, então, é o segredo da vitória? De acordo com pesquisas publicadas por uma revista de circulação nacional, “lá, o que faz a diferença nada mais é do que o que sempre fez a diferença: horas e horas de estudo rigorosamente supervisionado dentro da escola, investimento pesado nos professores e um projeto educacional que prioriza as matérias decisivas na vida de todo mundo, o português e a matemática à frente.
Os alunos têm xadrez e latim como disciplinas e, a partir da sétima série, estudam sociologia e filosofia. O inglês e o espanhol também são obrigatórios. Há computadores com tela de LCD ligados à internet”. As turmas não ultrapassam 40 alunos com acompanhamento de psicólogos e estagiários. A permanência dos estudantes na escola vai das 13h20 às 18h50 para os de ensino fundamental, e até as 20h40, para os de ensino médio, além dos sábados. “O melhor é estudar mais na escola e menos em casa”, explica a diretora do colégio, Maria Stela Rangel. São 2.391 alunos que estão nesse ritmo, que deveria ser o de todos nas escolas do país. Em alguns concursos, a nota eliminatória é a de língua portuguesa, não obstante os candidatos não terem o hábito de leitura e, menos ainda, o da escrita.
Atropelando sempre o idioma por ignorá-lo, o brasileiro repete mecanicamente os modismos linguísticos como: “Vou estar ligando amanhã”, “baixa estima”, ele “enquanto professor”, sem a menor noção do que dizem. Os cálculos matemáticos também são um desastre. Usa-se calculadora para dividir R$ 500 por cinco parcelas. Certo é que o mercado exige um profissional treinado em conhecimentos múltiplos, sem a acomodação que a máquina naturalmente proporciona e a escola, lamentavelmente, não se dispõe a ver.
Espaço Crítico
Flávio Lauria possui graduação em Administração pela Escola Superior Batista do Amazonas(1982) e especialização em Intensivo de Pós Graduação Em Adm. Pública pela Escola Brasileira de Administração Pública(1993). Atualmente é PROFESSOR da Escola Superior Batista do Amazonas e professor titular da Faculdade Nilton Lins. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas.
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