Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 2 Mar (Reuters) - O Ibovespa recuava nesta segunda-feira, contaminado pela aversão a risco com o aumento da tensão no Oriente Médio, mas o movimento negativo era atenuado pelo forte avanço da Petrobras, que acompanhava o salto dos preços do petróleo no exterior após Estados Unidos e Israel atacarem o Irã no fim de semana.
Por volta de 10h40, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, cedia 0,46%, a 187.926,43 pontos. O volume financeiro somava R$3,26 bilhões.
Os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no sábado, com Teerã respondendo com mísseis contra Israel e países vizinhos do Golfo. A operação, condenada pela China, matou o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, fez o preço do petróleo disparar no mercado internacional e motivou a busca de ativos mais seguros.
"Em função do início de um novo conflito armado, os mercados acionários começam o mês de março despencando mundo afora", afirmou a Ágora Investimentos, em relatório a clientes.
"Em momentos como este, os ativos considerados mais seguros tendem a registrar forte demanda, à medida que os investidores reduzem exposição ao risco em suas carteiras, o que deve continuar provocando ajustes para além da sessão de hoje, a depender da evolução dos acontecimentos."
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, afirmou nesta segunda-feira que levará tempo para atingir os objetivos militares no Irã, acrescentando que os Estados Unidos continuam a enviar tropas adicionais para o Oriente Médio, mesmo após um grande reforço militar.
No exterior, os futuros acionários norte-americanos apontavam uma abertura negativa em Wall Street, mesma tendência observada nas bolsas europeias.
A queda no primeiro pregão de março tem ainda como pano de fundo mais um desempenho mensal positivo do Ibovespa, com ganho de 4% em fevereiro, novamente apoiado pelo fluxo de capital externo, que até o dia 25 mostrava um saldo positivo superior a R$15 bilhões no mês passado.
DESTAQUES
- PETROBRAS PN disparava 4,5%, impulsionada pelo comportamento do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent saltava 8,7%, a US$79,21. PETROBRAS ON valorizava-se 4,21%, tendo ainda no radar o balanço do último trimestre do ano passado da petrolífera na quinta-feira, após o fechamento do mercado.
- PRIO ON avançava 4,7%, acompanhada também por BRAVA ON, com elevação de 3,76%, e PETRORECONCAVO ON, com acréscimo de 2,92%, embaladas pelo movimento dos preços do petróleo no exterior.
- VALE ON subia 0,32%, encontrando apoio na alta dos preços futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian encerrou o pregão diurno com alta de 0,87%.
- ITAÚ UNIBANCO PN caía 1,25% e BRADESCO PN perdia 1,75%, afetados pelo movimento vendedor com o ambiente mais negativo no exterior, que colocava os bancos do Ibovespa como um todo no vermelho. BANCO DO BRASIL ON <BBAS3.SA> recuava 1,04%, SANTANDER BRASIL UNIT cedia 1,25% e BTG PACTUAL UNIT caía 1,37%.
- MAGAZINE LUIZA ON recuava 3,64%, em meio ao forte avanço nas taxas dos contratos de DI, também pressionadas pela escalada nas tensões no Oriente Médio, o que reverberava negativamente em papéis sensíveis a juros. O índice do setor de consumo mostrava declínio de 1,5%.
- MRV&CO ON cedia 2,73%, também minada pelo efeito do conflito no Oriente Médio sobre as taxas dos DIs e no apetite a risco como um todo. O índice do setor imobiliário registrava baixa de 1,57%.
- BRASKEM PNA caía 3,44%, tendo ainda de pano de fundo prévia operacional da petroquímica no quarto trimestre do ano passado, com queda nas vendas de resinas e principais químicos no Brasil sobre um ano antes. Os números publicados na sexta-feira, após o fechamento, também mostraram queda na taxa de utilização das centrais petroquímicas da companhia no país.
(Por Paula Arend Laier)

