Início Economia Há risco de governo não conseguir compensar pacote do diesel, diz head da ASA
Economia

Há risco de governo não conseguir compensar pacote do diesel, diz head da ASA

O governo anunciou nesta quinta-feira, 12, que o pacote de medidas para segurar o preço do diesel será financiado pela tributação das exportações de petróleo. O head de macroeconomia do ASA, Jeferson Bittencourt, observa, contudo, que há um risco de a compensação ter sido superestimada, o que resultaria em impacto para as contas públicas, apesar de a medida ter sido lançada como fiscalmente neutra.

A expectativa do governo é levantar R$ 30 bilhões cobrando imposto de 12% sobre o petróleo exportado, e assim bancar todo o custo de subvenções e desoneração do diesel. Bittencourt, que já foi secretário do tesouro Nacional, observa, no entanto, que essa conta chama a atenção por ser quase três vezes maior do que o valor arrecadado com a cobrança, aplicada entre março e junho de 2023, de uma alíquota de 9,2% sobre as exportações de petróleo.

"Com uma alíquota em torno de 30% maior, a arrecadação é três vezes maior. Então, isso chama a atenção, o que coloca um certo risco de a arrecadação não ser tão alta, causando um custo fiscal líquido. O governo apresentou o pacote como sendo neutro, mas pode ser que tenha algum custo se essa arrecadação não acontecer desse jeito", comenta o chefe de macroeconomia do ASA.

Bittencourt entende também que o governo optou por um caminho de compensação "muito ruim" ao tributar as exportações, um dos canais de entrada de dólares, num momento em que busca acessar mais o mercado internacional para financiar a sua dívida. "Precisamos gerar dólares para pagar essa dívida. E aí, ato contínuo, tributamos a exportação, que é o que nos gera os dólares para pagar a dívida externa."

Fora isso, acrescenta Bittencourt, também chama a atenção o governo ter desonerado o diesel antes de a Petrobras repassar a alta internacional do petróleo aos preços dos combustíveis. Com isso, a tendência é de a redução de preços ser apenas temporária, limitando ganhos políticos da medida ao governo.

"Ao fim e ao cabo, quando o consumidor for olhar, o preço na bomba ficou igual, porque vai cair e, depois, subir de volta. Não sei se o efeito político disso vai ser tão positivo assim", comenta Bittencourt.

Ele diz que também vê com preocupação o governo reduzir o preço, incentivando assim o consumo, de um produto cuja oferta se tornou mais restrita em função dos conflitos no Oriente Médio. "Estamos incentivando o consumo de um produto que tem uma oferta menor. É uma estratégia preocupante", assinala.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?