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Cientistas buscam pistas sobre a longevidade em três irmãs brasileiras com mais de 100 anos

Reuters
Cientistas buscam pistas sobre a longevidade em três irmãs brasileiras com mais de 100 anos
Cientistas buscam pistas sobre a longevidade em três irmãs brasileiras com mais de 100 anos

RIO DE JANEIRO, 24 Jun (Reuters) - Qual é o segredo para uma vida longa? Três irmãs brasileiras, cuja idade somada é de 316 anos, que foram reconhecidas pelo Guinness neste mês como o trio de irmãos mais velhos do mundo ainda vivos, podem ajudar os pesquisadores a descobrir isso.

O Projeto DNA Longevo, um estudo liderado pela cientista Mayana Zatz, da Universidade de São Paulo, tem como objetivo investigar os fatores biológicos por trás do envelhecimento.

As descobertas a partir do caso das três irmãs podem ajudar os cientistas a compreender melhor por que algumas pessoas permanecem fisicamente e cognitivamente resistentes em idades excepcionalmente avançadas.

Pesquisadores se propõem a comparar nonagenários e centenários com pessoas que desenvolveram fragilidade, declínio cognitivo ou doenças crônicas, buscando características associadas à longevidade.

“Por meio de testes de DNA, buscamos genes protetores, e sabemos que existem vários deles”, disse Zatz, que coordena o Centro de Pesquisa do Genoma Humano da universidade.

“Quanto mais pessoas tivermos que vivem além dos 100 anos, especialmente famílias com vários centenários, mais precisa será nossa pesquisa para identificá-los.”

Os cientistas acreditam que fatores hereditários podem desempenhar um papel mais importante do que as influências ambientais na preservação da saúde e das funções na terceira idade.

As irmãs Zulina de Deus Nunes, de 103 anos, Zoraide de Deus Mota, de 104, e Levita de Deus Nunes, de 109, que moram no Rio de Janeiro, foram identificadas por meio da LongeviQuest, uma organização global que verifica registros de longevidade e tem parceria com o Guinness World Records.

“Quando irmãs chegam a essa idade, há claramente um forte componente genético”, disse Ben Meyers, presidente-executivo da LongeviQuest.

“Mas, como moram próximas umas das outras, elas também contam com uma rede de apoio, com a família pronta para ajudar quando necessário. Definitivamente, há também um aspecto comunitário.”

As três irmãs atribuem sua longevidade a uma alimentação saudável e a um estilo de vida ativo.

Zulina relembrou uma infância passada nadando e pescando em rios. “Tudo era fresco. Não tínhamos geladeira”, disse.

“A amamentação é extremamente importante”, acrescentou Zoraide.

Fora isso, as irmãs levaram vidas bastante comuns. Levita trabalhou como artesã e, mais tarde, em uma emissora de televisão. Zoraide trabalhou como enfermeira e criou cinco filhos, enquanto Zulina, dona de casa, criou seis.

Levita relembra sua vida sem arrependimentos.

“Tive uma boa infância e adolescência. Não posso reclamar.”

Pesquisadores esperam entender como fatores genéticos, e não o estilo de vida, ajudam a proteger o coração, os músculos e a função cognitiva dos estragos do envelhecimento.

O objetivo do estudo, disse o pesquisador João Paulo Guilherme, que trabalha com Zatz, “é chegar a 500 centenários para que possamos tirar conclusões mais definitivas sobre a longevidade”.

(Reportagem de Aline Massuca, no Rio de Janeiro, e Victoria Pacheco, em São Paulo )

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