O Brasil celebra neste 5 de novembro o Dia Nacional da Língua Portuguesa, instituído pela Lei federal nº 11.310, sancionada em 2006, que determina a comemoração anual sem detalhar o motivo da escolha dessa data específica. É uma data voltada à valorização do idioma oficial do país, falado por mais de 200 milhões de pessoas no Brasil.
Nenhum estado brasileiro, porém, reconhece oficialmente tantas outras línguas quanto o Amazonas. Em 2023, uma lei estadual cooficializou 16 línguas indígenas ao lado do português — entre elas Baniwa, Tikuna, Tukano, Nheengatu, Yanomami, Mura e Mawé —, além de instituir uma política estadual de proteção a esses idiomas, reconhecidos como patrimônio cultural imaterial. A sanção ocorreu em cerimônia realizada em São Gabriel da Cachoeira, a 852 km de Manaus.
São Gabriel da Cachoeira é descrita como a cidade mais indígena do Brasil e já tinha, por lei municipal, reconhecido Baniwa, Tukano e Nheengatu como línguas cooficiais ao português antes mesmo da lei estadual. Toda a região do Alto e Médio Rio Negro, onde o município está localizado, registra mais de 20 línguas indígenas faladas por mais de 30 etnias — e cerca de 90% da população local domina mais de um idioma.
Celebrar a língua portuguesa no Amazonas, portanto, também significa reconhecer que ela convive, no mesmo território, com uma das paisagens linguísticas mais diversas do país — fruto de povos que preservam seus idiomas originários há gerações, mesmo depois de séculos de contato com o português.
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