Todo 31 de outubro, o Brasil celebra o Dia do Saci, criado como contraponto nacional ao Halloween, cuja popularidade cresceu no país pela influência do cinema e das escolas de idiomas americanas. A data foi oficializada primeiro por lei estadual em São Paulo, em 2004, e depois adotada por outros estados e municípios, além de ganhar espaço no calendário de escolas de todo o país, com o objetivo de resgatar e valorizar o folclore brasileiro diante do avanço da festa importada entre crianças e jovens.
Mas o personagem símbolo das travessuras na floresta não é o mesmo em todo o Brasil. Na Amazônia, quem assume esse papel é o Curupira: uma figura de cabelos da cor do fogo e pés virados para trás, que defende a mata contra caçadores e madeireiros. Os pés ao contrário servem para confundir quem tenta segui-lo — uma armadilha que pode deixar o intruso perdido na floresta para sempre. A primeira referência ao personagem na história remonta a uma carta escrita em 1560 pelo padre jesuíta José de Anchieta, que registrou relatos ouvidos de indígenas sobre o ser que habitava a mata.
O guardião da floresta ganhou um novo capítulo recente: o Curupira foi escolhido como mascote oficial da COP30, a conferência da ONU sobre mudanças climáticas que o Brasil sedia em Belém, no Pará, entre 10 e 21 de novembro deste ano. A escolha busca colocar as florestas no centro do debate climático e aproximar as novas gerações da importância da preservação ambiental — um papel que, na lenda, o próprio personagem já cumpria há séculos.
Em Manaus, o nome do guardião também virou tecnologia: o Projeto Curupira, desenvolvido pelo Laboratório de Sistemas Embarcados da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), usa sensores conectados em rede para monitorar sons da floresta e identificar ameaças como o ruído de motosserras, indício de desmatamento ilegal. Os alertas chegam a um roteador central que pode captar sinais de pontos a até 15 quilômetros de distância, permitindo que autoridades ambientais ajam em tempo real — assim como o Curupira do folclore, que séculos atrás já usava barulhos e assobios para afastar quem ameaçava a mata.
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