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Dia da Malária nas Américas: Alto Rio Negro concentra os casos mais graves do Amazonas

Data foi criada pela Opas em 2007; municípios como Barcelos e São Gabriel da Cachoeira lideram notificações ano após ano no estado, superando até a capital.

Dia da Malária nas Américas: Alto Rio Negro concentra os casos mais graves do Amazonas
Mosquito do gênero Anopheles, transmissor do parasita causador da malária, doença que ainda afeta milhares no interior do Amazonas

Criado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) em 2007, o Dia da Malária nas Américas é lembrado todo 6 de novembro para chamar a atenção de governos, profissionais de saúde e da população para a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da doença no continente. No Brasil, a Amazônia concentra a quase totalidade dos casos — e, dentro do Amazonas, a região do Alto Rio Negro carrega o maior peso da doença.

Levantamentos da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), com base no Sivep-Malária, do Ministério da Saúde, mostram que municípios como Barcelos e São Gabriel da Cachoeira costumam liderar, ano após ano, a lista dos mais afetados do estado — somando, juntos, mais de 18 mil casos em um único ano recente, à frente até da própria capital. A geografia de rios, igarapés e floresta densa que caracteriza essa região favorece a reprodução do mosquito Anopheles, principal transmissor do parasita causador da doença.

Para enfrentar a chamada malária vivax — forma mais comum na Amazônia e responsável por recaídas quando o tratamento é interrompido antes do tempo — unidades de saúde de Manaus passaram a oferecer a tafenoquina, medicamento de dose única aplicado junto com um teste prévio que evita reação adversa em pacientes com uma deficiência enzimática específica. A medida simplifica o tratamento em relação ao esquema tradicional, que exige remédio por vários dias seguidos — mais difícil de completar em comunidades ribeirinhas distantes dos postos de saúde.

A doença não sai do radar amazonense: mesmo fora de surtos mais graves, o estado soma, em anos típicos, dezenas de milhares de notificações, concentradas sobretudo entre julho e outubro, período de vazante dos rios. A Opas sustenta que, apesar de décadas de combate, a eliminação completa da malária nas Américas ainda depende de vigilância constante, diagnóstico rápido e acesso a tratamento nas áreas mais isoladas — exatamente o desafio enfrentado pelos municípios do interior do Amazonas.

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