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Unha-de-gato: o espinho da Amazônia usado há milênios que a ciência só confirma para dor nas juntas

Trepadeira de espinhos curvos é tradição indígena na Amazônia, mas tem contraindicações que exigem atenção

Unha-de-gato: o espinho da Amazônia usado há milênios que a ciência só confirma para dor nas juntas
Unha-de-gato é usada na medicina tradicional amazônica há milhares de anos, mas a ciência confirma poucos de seus usos populares. Foto: ธันยกร ไกรสร/Pexels

A unha-de-gato é uma trepadeira lenhosa que pode passar dos 20 metros de comprimento, encontrada em beiras de rios e igarapés na Amazônia e em outras áreas tropicais da América do Sul. O nome popular vem dos espinhos curvos que nascem ao longo do caule, parecidos com garras felinas. Da planta se aproveitam principalmente a casca e as raízes, usadas por povos indígenas da região amazônica — incluindo etnias do Peru e da Colômbia — há milhares de anos.

Na tradição popular, a unha-de-gato carrega fama de remédio para quase tudo: dores articulares, artrite, gastrite, úlcera, inflamações urinárias, cicatrização de feridas profundas e até problemas menstruais. É comum também encontrar quem recomende a planta contra câncer, doença de Crohn, colite, herpes e lúpus — usos que circulam no imaginário popular, mas que nenhum estudo científico confirmou até hoje.

O que a ciência realmente sustenta é mais modesto, porém real: pequenos ensaios clínicos com pacientes de artrite reumatoide e osteoartrite no joelho mostraram redução da dor e do número de articulações inflamadas, o que levou a planta a ser reconhecida no Brasil como tratamento complementar para esse tipo de quadro. Estudos de laboratório também identificaram substâncias na planta com ação anti-inflamatória e atividade contra algumas bactérias, mas essas descobertas vêm de testes em células e animais, não de pessoas — e boa parte dos poucos ensaios clínicos existentes é pequena e de qualidade limitada.

Por isso, a unha-de-gato não deve ser tratada como remédio livre de riscos. Grávidas e lactantes não devem usá-la, assim como pacientes transplantados, pelo risco de estimular o sistema imunológico e favorecer rejeição de órgãos. Quem faz quimioterapia, usa imunossupressores ou tem doenças autoimunes como lúpus também precisa evitar o uso sem orientação médica — já foi registrado um caso de problema renal grave em paciente com lúpus associado à planta. O uso contínuo não deve passar de dois meses sem acompanhamento profissional, e crianças não devem consumi-la. Como qualquer fitoterápico, a unha-de-gato não substitui diagnóstico, tratamento ou orientação de um médico.

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