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Pupunha crua pode irritar a boca; cozida, concentra carotenoides que a ciência já mediu

Pupunha crua pode irritar a boca; cozida, concentra carotenoides que a ciência já mediu
Foto/Reprodução: Freepik

A pupunha, fruto da palmeira amazônica Bactris gasipaes , tem um hábito de consumo diferente da maioria das frutas regionais: quase ninguém a come crua. Tradicionalmente preparada cozida em água com sal e servida ao lado de café, ela é presença comum no café da manhã e no lanche da tarde em casas do Amazonas — e existe uma razão química bem concreta para esse costume.

Pesquisas sobre o fruto identificam que a polpa crua contém substâncias que irritam a mucosa da boca e dificultam a digestão, o que torna o cozimento praticamente obrigatório antes do consumo. O processo de cocção, porém, não é só uma questão de segurança: ele também concentra nutrientes. Estudos que mediram o teor de carotenoides — pigmentos responsáveis pelas cores amarela, laranja e vermelha da fruta — encontraram cerca de 24,6 microgramas por grama na polpa crua, quase o dobro na polpa cozida, e valores ainda mais altos quando o fruto é transformado em farinha, aproveitando também a casca.

Essa concentração de carotenoides, precursores da vitamina A, motivou revisões científicas a apontar a pupunha como possível estratégia alimentar de apoio no combate à carência de vitamina A em crianças pré-escolares da região Norte, onde a insegurança alimentar ainda é um desafio. Os próprios estudos, no entanto, tratam a ideia como hipótese a ser testada, não como solução pronta: faltam pesquisas sobre aceitação do fruto pelo público infantil e sobre formas práticas de incluí-lo de forma regular na dieta das famílias amazônicas.

Vale reforçar: a pupunha não deve ser consumida crua em nenhuma circunstância, pela irritação que pode causar na boca e no sistema digestivo, e seu alto teor de amido e gordura garante bastante energia, o que pede moderação para quem controla a ingestão calórica. Nenhum alimento substitui avaliação médica: sintomas de deficiência nutricional, incluindo problemas de visão noturna, exigem diagnóstico profissional, não automedicação com frutas.

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