O pau-pereira ( Geissospermum vellosii ) é uma árvore encontrada em áreas de floresta na Amazônia, cuja casca é usada há gerações na medicina popular de comunidades da região. Preparados em forma de chá ou garrafada são tradicionalmente empregados como estimulante sexual e também contra malária, problemas digestivos, prisão de ventre, febre e dor no fígado — e, mais recentemente, chegaram a ser vendidos como suplemento alternativo contra o câncer.
Em laboratório, alcaloides indólicos extraídos da casca, como a pereirina, mostraram atividade contra o parasita Plasmodium falciparum , causador da malária, e também inibiram o parasita responsável pela leishmaniose — sempre em testes de bancada, sem células ou organismos vivos complexos envolvidos. Em testes com animais, extratos da planta tiveram efeito analgésico e anti-inflamatório, além de melhorarem déficits de memória provocados artificialmente em camundongos, o que despertou interesse de pesquisadores que estudam o Alzheimer.
Quanto ao câncer, estudos com células cultivadas em laboratório indicaram atividade contra tumores de ovário, próstata e pâncreas, inclusive potencializando o efeito de quimioterápicos como carboplatina e gencitabina. São resultados pré-clínicos, do tipo que costuma preceder anos de pesquisa antes de qualquer aplicação — e, até hoje, nenhum desses usos foi testado em pessoas.
Por não haver nenhum estudo em humanos, também não existem dados confiáveis sobre efeitos colaterais, interação com remédios ou contraindicações do pau-pereira — o que não significa que a planta seja segura, apenas que ela nunca foi avaliada dessa forma. O pau-pereira não substitui diagnóstico médico, acompanhamento profissional nem tratamento oncológico convencional, e qualquer pessoa que utilize suplementos à base da planta deve informar isso à sua equipe de saúde.
Aviso