O inajá é uma palmeira nativa da Amazônia que pode chegar a 20 metros de altura e ocorre com mais força no Pará e no estuário do rio Amazonas, embora esteja presente em toda a região. Também chamada de anaiá, aritá, maripá ou najá, ela tem uma característica rara entre as plantas da floresta: depois de um incêndio, seu broto de crescimento, que fica protegido sob o solo, rebrota rapidamente, o que a torna uma das espécies mais comuns em áreas já degradadas da Amazônia.
Na tradição das comunidades amazônicas, a polpa do fruto é comida crua ou cozida com farinha de mandioca, entra em mingaus oferecidos a pessoas debilitadas e também é fermentada em uma bebida local conhecida como "vinho de inajá". Da amêndoa se extrai um óleo rico em ácido oleico, usado há décadas nas indústrias de alimentos, cosméticos e sabão vegetal, enquanto o óleo da polpa lembra o do babaçu. Povos indígenas também aproveitam as folhas para cobrir e fechar paredes de malocas, o pecíolo como ponta de flecha e a espata — a bainha que envolve as flores — como cesto ou recipiente para carregar água.
Em 2023, pesquisadoras da Esalq-USP, com apoio da Fapesp, encontraram atividade antioxidante e anti-inflamatória num resíduo que normalmente seria descartado: a "torta" que sobra da prensagem do inajá e do açaí para extrair óleo. Em testes de laboratório — análises químicas e células de camundongo, sem uso de animais vivos —, compostos chamados procianidinas reduziram em cerca de 50% algumas moléculas que causam estresse oxidativo e baixaram marcadores de inflamação a níveis próximos dos de um grupo sem estímulo inflamatório. O efeito se manteve mesmo depois de uma simulação do processo de digestão.
Apesar do resultado promissor, a própria natureza do estudo limita qualquer conclusão sobre benefícios reais à saúde: os testes foram feitos em laboratório, com um subproduto industrial do fruto, e não há, até aqui, pesquisa em animais vivos ou em humanos que confirme o efeito fora do tubo de ensaio. Relatórios técnicos da Embrapa também apontam que a polpa do inajá continua pouco estudada do ponto de vista nutricional. Por isso, o inajá não deve ser tratado como remédio nem substituir orientação médica, e óleos vendidos sem controle de qualidade e procedência merecem o mesmo cuidado reservado a qualquer produto natural sem regulamentação.
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