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Do camu-camu ao pirarucu: o poder da mesa amazônica na sua saúde

Frutas e peixes que fazem parte do dia a dia do amazonense concentram nutrientes que a ciência associa à prevenção de doenças

Do camu-camu ao pirarucu: o poder da mesa amazônica na sua saúde

O que se vende nas bancas da feira em Manaus é, ao mesmo tempo, comida e remédio preventivo. O caso mais impressionante é o do camu-camu, fruta pequena e ácida que cresce nas margens alagadas dos rios da região e que reúne o maior teor de vitamina C já registrado em um alimento. Dependendo do ponto de maturação, a polpa chega a concentrar dezenas de vezes mais vitamina C do que a laranja, um nutriente ligado ao funcionamento do sistema imunológico, à absorção de ferro e à produção de colágeno. Por muito tempo tratado apenas como isca de peixe, o fruto hoje é matéria-prima de polpas, cápsulas e cosméticos exportados.

A lista não para por aí. O açaí deve sua cor escura às antocianinas, pigmentos com forte ação antioxidante, e ainda oferece gorduras boas e fibras. O buriti e o tucumã estão entre os alimentos mais ricos em carotenoides do planeta, precursores da vitamina A, importante para a visão e para a pele. O cupuaçu combina fibras e compostos fenólicos, enquanto a pupunha, cozida e servida com café da manhã, entrega energia de digestão lenta. Consumidas frescas e sem excesso de açúcar, essas frutas ajudam a compor uma alimentação que combate o estresse oxidativo, processo associado ao envelhecimento celular e a doenças crônicas.

Do outro lado do prato estão os peixes. O tambaqui, o pirarucu, o matrinxã e o jaraqui são fontes de proteína de alta qualidade e trazem ácidos graxos que a pesquisa científica vem mapeando na região, incluindo o ômega 3, associado à saúde do coração e do cérebro. O pirarucu chama atenção por ser magro e ao mesmo tempo muito proteico, o que o torna aliado de quem busca controlar o peso sem abrir mão de saciedade. O modo de preparo, porém, faz diferença: assado, cozido ou na moqueca, o peixe preserva os nutrientes que a fritura em óleo reaproveitado costuma comprometer.

Nada disso substitui acompanhamento médico ou tratamento de doenças já instaladas, e nenhuma fruta isolada cura o que quer que seja. O que a ciência tem mostrado é mais simples e mais poderoso: uma dieta constante, variada e baseada em alimentos frescos reduz fatores de risco e melhora indicadores de saúde ao longo dos anos. No Amazonas, essa dieta está ao alcance de qualquer feira de bairro e ainda sustenta ribeirinhos, pescadores e pequenos produtores que vivem do extrativismo. Comer o que a floresta oferece é, ao mesmo tempo, cuidar do corpo e manter de pé uma cadeia econômica que depende da floresta em pé.

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