Uma mulher de 39 anos sobreviveu a uma tentativa de feminicídio após ser sequestrada e lançada de um penhasco de aproximadamente 50 metros de altura na região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. A vítima, Ana Claudia Rodrigues, relatou ao programa Fantástico os momentos de terror vividos na última segunda-feira (25), quando foi abordada pelo ex-companheiro enquanto seguia para o trabalho.
Segundo Ana Claudia, o agressor a perseguiu desde a saída da escola da filha e a obrigou a entrar em um veículo sob ameaça de uma faca. “Quando tentei correr, ele veio atrás de mim e me pegou. Disse que queria apenas conversar, mas estava sempre com a faca apertando muito meu pescoço”, afirmou. A vítima contou que, durante o trajeto, chegou a questionar se seria morta. “Eu perguntei: ‘Você está me levando para me matar, né?’. Ele apenas sorriu e respondeu que me amava”, relembrou.
A mulher relatou que passou cerca de duas horas sendo agredida em uma área isolada de um parque estadual em Brumadinho. De acordo com ela, o suspeito procurava um local onde tivesse certeza de que a queda seria fatal. “Ele me levava de um lado para outro do penhasco dizendo: ‘Aqui não dá para você morrer’. Depois me puxava novamente e repetia a mesma frase”, contou. Em determinado momento, Ana Claudia foi empurrada e despencou pela encosta. “Só pensava nos meus três filhos. Naquele instante eu acreditava que era o meu fim”, disse.
Apesar da violência da queda, a vítima sobreviveu e permaneceu por cerca de 24 horas aguardando socorro. “Mesmo caindo, senti que não iria morrer. Parecia que Deus estava comigo o tempo todo”, declarou. O suspeito deixou o local logo após o crime e foi preso no dia seguinte, no norte de Minas Gerais. Em depoimento à polícia, ele confessou ter empurrado a ex-companheira do penhasco.
O caso reacendeu o debate sobre a violência contra a mulher no país. Segundo a delegada responsável pela investigação, Ana Claudia já havia sofrido agressões e ameaças durante o relacionamento de 12 anos. “Ele dizia que seria capaz de matá-la e depois tirar a própria vida”, afirmou a policial. Especialistas alertam que o momento da separação é um dos períodos de maior risco para mulheres em relações abusivas e reforçam a importância da busca por redes de apoio e proteção.



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