Nada autoriza que uma cidade inteira seja mantida refém de uma paralisação. E o que vem acontecendo em Manaus é um acinte, uma violação do direito básico de ir e vir da população.
É evidente que a greve é estimulada, de um lado por um farsesco líder sindical, mais interessado em suas suspeitas alianças políticas do que com os interesses dos trabalhadores. De outro, um sindicato patronal focado no lucro, que se ancora em um poder público tolerante com esse estado de coisas.
A cidade não suporta a interrupção prolongada do transporte de massa. Motoristas e cobradores não podem ser transformados em instrumentos de disputas dessa natureza, assim como a população não pode ser submetida aos efeitos de um conflito que não criou.
Em um serviço essencial, como o transporte de ônibus, o interesse da coletividade deve permanecer acima de interesses corporativos ou políticos.
Empresas que atrasam vencimentos devem responder por seus atos, enquanto o poder público tem o dever de fiscalizar o sistema e buscar soluções que garantam sua continuidade.
O impasse deixa de ser apenas trabalhista quando um serviço essencial passa a incorporar pautas que extrapolam a relação entre empregados e empregadores ou assume contornos políticos.
Cabe ao poder público mediar as negociações, exigir o cumprimento das obrigações das concessionárias e assegurar a continuidade mínima do serviço. Da mesma forma, a atuação da Justiça para preservar o funcionamento do transporte coletivo, quando necessário, não representa afronta ao direito de greve, mas proteção ao interesse público e ao direito de ir e vir de milhões de cidadãos.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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