LONDRES, 21 Jul (Reuters) - O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou nesta terça-feira que pretende reduzir os impostos sobre as contas de energia elétrica, em sua primeira tentativa de amenizar uma prolongada crise do custo de vida que tem causado indignação na população e contribuído para alimentar a instabilidade política.
Em seu segundo dia no novo cargo, Burnham disse que seu governo eliminaria o imposto sobre valor agregado das contas de energia elétrica domésticas a partir de 1º de outubro, reduzindo em cerca de 45 libras a conta média anual de aproximadamente 1.862 libras que as famílias pagam.
Com os investidores em títulos acompanhando de perto como qualquer apoio fiscal seria financiado, ele afirmou que a medida seria custeada pela economia resultante do cancelamento de um programa de identificação digital de 1,8 bilhão de libras (US$2,42 bilhões), anunciado por ele no domingo.
“Estamos tomando medidas imediatas para reduzir os impostos nas contas de energia, deixar mais dinheiro no bolso das pessoas e trazer de volta a esperança”, disse ele em um comunicado, após se comprometer a dar às pessoas mais “alívio” em suas vidas.
BURNHAM TENTA AGIR RAPIDAMENTE PARA OFERECER APOIO
O anúncio sobre energia tem como objetivo mostrar que Burnham agirá rapidamente para melhorar os padrões de vida após anos de estagnação.
Mas, em um primeiro sinal de que seu apelo à unidade no Partido Trabalhista, atualmente no governo, pode não surtir efeito, um aliado do ex-primeiro-ministro Keir Starmer, Darren Jones, afirmou que o programa de identificação digital não tem financiamento garantido, questionando se o novo líder dispõe de recursos para arcar com sua medida política relativa às contas de energia.
“O governo terá que definir como vai financiar suas novas políticas no orçamento”, disse ele no X.
As contas de energia têm sido um dos principais fatores da crise do custo de vida no Reino Unido, depois que o preço do gás no atacado — que influencia fortemente os preços da eletricidade no país — disparou após a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia em 2022.
O governo conservador da época gastou bilhões de libras para proteger as famílias por meio de uma garantia de preços de energia. Mas, embora os preços tenham diminuído a partir de meados de 2023, eles continuam até 60% mais altos do que antes da crise energética. Eles também aumentaram nos últimos meses devido à guerra no Irã.
A Coalizão para o Fim da Pobreza Energética acolheu a medida como um sinal de intenção positiva, mas acrescentou: “Isso não resolve a magnitude do que as famílias estão enfrentando, com milhões ainda tendo que destinar uma parcela insustentável de sua renda à energia e com níveis recordes de dívidas de energia acumuladas ao longo de invernos sucessivos de contas elevadas.”
ROTATIVIDADE DE LÍDERES
Burnham prometeu lançar um programa que, segundo ele, pode transformar o Reino Unido, na esperança de que uma agenda mais ousada consiga reconquistar eleitores para o Partido Trabalhista, atualmente no governo, e enfrentar o desafio do partido populista Reform UK, liderado pelo ativista do Brexit Nigel Farage.
Há muito em jogo.
Apelidado de “Rei do Norte” por sua defesa obstinada da região noroeste da Inglaterra, na Grande Manchester, quando era prefeito, Burnham é o líder mais popular entre os principais partidos políticos do Reino Unido e conta com apoio esmagador no Partido Trabalhista.
Mas a constante rotatividade de primeiros-ministros na última década destacou a rapidez com que os partidos podem se voltar contra líderes que não são vistos como cumpridores das promessas feitas aos eleitores, e Burnham terá que agir rapidamente para impor sua autoridade no governo.
Ele quer começar com o pé direito.
Em seu primeiro discurso como primeiro-ministro na segunda-feira, Burnham disse que sua principal ambição era resolver a situação dos moradores de rua, mas também queria que a população sentisse rapidamente os efeitos da mudança no governo em seus bolsos.
MERCADOS ACOMPANHAM DE PERTO
Espera-se também que ele analise possíveis limites para as tarifas de ônibus — algo que já fez em Manchester — e outras medidas, para reforçar sua afirmação de que “colocarei o bem-estar das pessoas no centro de tudo o que faço”.
“Isso não vai resolver tudo, não vai tirar toda a pressão”, disse ele aos repórteres. “Mas apenas mostra a direção a ser seguida e... como ajudá-las.”
Os mercados estarão atentos para saber como Burnham e sua escolha inesperada para ministro das Finanças, o ex-secretário de Defesa John Healey, planejam financiar qualquer apoio adicional, depois que os custos dos empréstimos subiram na segunda-feira, levando os rendimentos dos títulos do tesouro de 30 anos a uma alta de dois meses.
Alguns investidores ficaram inquietos com as declarações de Burnham de que planejava usar “toda a flexibilidade” dentro das regras fiscais existentes.
(Reportagem de Elizabeth Piper; reportagem adicional de David Milliken e Paul Sandle)



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