A disputa pelo próximo governo não pode impedir o funcionamento do governo presente.
A operação de crédito de R$ 1,4 bilhão pretendida pelo Amazonas precisa ser reexaminada. O Judiciário deve estar atento a legalidade da operação, sua finalidade, condições financeiras e capacidade de pagamento do Estado.
Mas não pode e nem deve escolher entre governo e oposição. Precisa preservar a legalidade sem ignorar as consequências concretas de sua decisão. Democracia não exige silêncio de quem fiscaliza nem liberdade absoluta de quem governa. Exige equilíbrio. O Amazonas precisa continuar governável.
Empréstimos de administrações anteriores não podem, por si, ser convertidos em responsabilidade política do atual governador. A gestão atual deve responder pelas escolhas que fizer agora.
É preciso reconhecer que nenhum governante recebe um Estado em branco. Recebe compromissos, limitações, demandas acumuladas e problemas que se agravam.
No Amazonas, somam-se grandes distâncias, dependência dos rios, dificuldades de transporte, infraestrutura insuficiente e adversidades climáticas que atingem sobretudo o interior.
Buscar recursos para enfrentar esses problemas e atender necessidades sociais faz parte da responsabilidade de quem governa, sem afastar transparência e controle.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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