A desconfiança tem sido lançada no debate público contra decisões recentes do ministro Flávio Dino. Para alguns críticos, iniciativas voltadas a restringir penduricalhos e o fim da aposentadoria compulsória como punição para magistrados seriam apenas gestos calculados para agradar a opinião pública em um momento de desgaste do Judiciário.
Essa leitura é compreensível em tempos de desconfiança generalizada. A discussão sobre a chamada “punição remunerada” — quando um juiz é afastado por infração grave, mas continua recebendo proventos pagos pelo Estado — não nasceu agora.
O tema ganhou força após a reforma da Previdência de 2019 e passou a ser discutido no Congresso, na academia e dentro do próprio sistema de Justiça.
Há um ponto que não pode ser ignorado. O Judiciário brasileiro enfrenta hoje um problema real de credibilidade. Episódios recentes, envolvendo decisões judiciais e privilégios contribuíram para ampliar essa distância entre instituições e opinião pública. Ignorar esse cenário seria um erro.
O Judiciário precisa encontrar caminhos que o reconectem com a ideia de responsabilidade pública e de igualdade diante da lei.
A credibilidade da justiça não se constrói apenas com decisões corretas; ela também depende da percepção de que regras valem para todos.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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