Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) seguem com leves baixas nesta segunda-feira, em sintonia com a queda dos rendimentos dos Treasuries e após a Receita Federal informar que a arrecadação federal bateu um recorde em outubro.
Os investidores no Brasil também aguardam pelo discurso do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento em São Paulo no início da tarde.
Às 11h22, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,875%, ante o ajuste de 12,915% da sessão anterior. A taxa para janeiro de 2035 marcava 13,41%, ante o ajuste de 13,433%. O rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- caía 2 pontos-base, a 4,044%.
Na sexta-feira as apostas de que o Federal Reserve cortará sua taxa de juros em dezembro voltaram a ser majoritárias no mercado de títulos norte-americano, invertendo a precificação anterior. Na manhã desta segunda-feira, conforme a Ferramenta CME FedWatch, o mercado precificava 77,7% de probabilidade de corte de 25 pontos-base, contra 22,3% de chance de manutenção na faixa de 3,75% a 4,00%.
Neste cenário, os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cediam nesta manhã, o que abria espaço para o recuo das taxas longas dos DIs.
Na ponta curta da curva, as taxas também passaram a registrar leves quedas durante esta manhã, após a Receita Federal informar que a arrecadação teve alta real de 0,92% em outubro sobre o mesmo mês do ano anterior, somando R$261,908 bilhões. Este é o maior patamar para outubro na série iniciada em 1995.
No acumulado de janeiro a outubro, a arrecadação federal foi de R$2,367 trilhões, ficando 3,20% acima do registrado nos primeiros dez meses de 2024. O valor também é recorde para o período.
No entanto, os dados da Receita indicam uma desaceleração dos ganhos da arrecadação nos últimos meses. Após atingir em julho um pico de 4,41% de alta acumulada no ano, o desempenho arrefeceu, indo a 3,73% em agosto, 3,49% em setembro e 3,20% em outubro.
Na sexta-feira, os Ministérios da Fazenda e do Planejamento apontaram a necessidade de contenção de R$7,7 bilhões em gastos dos ministérios este ano para cumprir as regras fiscais. Além disso, será necessário um contingenciamento de R$3,3 bilhões para o cumprimento da meta de resultado primário do ano, de déficit zero com uma banda de tolerância de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$31 bilhões.
No Brasil, os investidores estarão atentos à participação de Galípolo no almoço anual da Febraban, a partir das 12h, em busca de pistas sobre o futuro da taxa básica Selic, atualmente em 15% ao ano. Parte do mercado aposta em um corte da taxa já em janeiro, de 25 pontos-base, mas o BC tem mantido discurso cauteloso em relação à política monetária.
No boletim Focus divulgado nesta manhã, a mediana das projeções dos economistas do mercado para a Selic no fim deste ano seguiu em 15%, mas para o fim de 2026 cedeu de 12,25% para 12,00%. A inflação projetada para este ano passou de 4,46% para 4,45%, enquanto para o próximo ano foi de 4,20% para 4,18%.

