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Percepção de risco para Enel aumenta após Silveira sinalizar com caducidade, dizem analistas

Percepção de risco para Enel aumenta após Silveira sinalizar com caducidade, dizem analistas
Percepção de risco para Enel aumenta após Silveira sinalizar com caducidade, dizem analistas

Por Leticia Fucuchima

SÃO PAULO, 17 Dez (Reuters) - O risco de a Enel perder a concessão de distribuição de energia em São Paulo aumentou após o governo federal voltar a falar em "caducidade" do contrato, segundo avaliação de analistas, em um sinal de maior indisposição do poder concedente com a empresa italiana após reiterados problemas de fornecimento de energia na maior região metropolitana do país.

A caducidade da concessão precisa ser precedida de um processo administrativo, que prevê uma análise técnica, apuração de falhas e transgressões e espaço para defesa da empresa. A agência reguladora Aneel já está debruçada sobre o tema e pode recomendar ou não a medida, e a palavra final é do governo federal.

"Entendemos que a decisão surge como uma reação ao mais recente apagão de grandes proporções em São Paulo e, considerando as reações das autoridades e da opinião pública aos apagões anteriores da Enel São Paulo, consideramos altamente improvável que a decisão (pela caducidade) seja alterada", disseram os analistas do JPMorgan, em nota a clientes.

Silveira disse que a Enel perdeu condições de seguir operando, inclusive do ponto de vista reputacional, referindo-se ao apagão na região metropolitana de São Paulo na semana passada, quando a passagem de um ciclone extratropical prejudicou o fornecimento de energia para milhões de consumidores atendidos pela distribuidora italiana.

Se concretizada, a caducidade da Enel São Paulo seria a primeira a ser decretada na história do setor de distribuição de energia. No passado, a Aneel chegou a recomendar caducidade para outras distribuidoras, como as do Amazonas e Amapá, mas as antigas donas transferiram o controle dessas empresas para que a medida não precisasse ser posta em prática.

Os analistas do JP Morgan apontam ainda que, caso o processo de caducidade, que deverá ser longo, siga adiante, a Enel ainda teria direito a uma indenização bilionária, mesmo que o governo tente reduzir o valor.

O UBS BB afirmou em relatório que o risco regulatório associado a eventos climáticos extremos aumentou não só para a Enel São Paulo, mas também para as outras concessionárias do país, uma vez que as discussões sobre o tema passaram a se centrar mais percepção da qualidade do fornecimento de energia nessas emergências do que no cumprimento formal dos indicadores.

"E essa mudança é importante porque aumenta a flexibilidade regulatória, mesmo que o caminho legal para uma rescisão antecipada (da concessão) continue complexo", disse o banco.

No caso da Enel São Paulo, os analistas do UBS BB avaliaram que, como a concessão termina em 2028, a opção mais "racional" seria um acordo informal do governo com a empresa para que o contrato atual não seja rompido e a troca da operação na região ocorra depois de um leilão após o término efetivo da concessão.

"Um acordo informal parece uma escolha racional, iniciando os preparativos para um leilão na data de vencimento, mas este processo é claramente marcado por uma coisa: incerteza".

O termo de intimação que pode levar à caducidade do contrato da Enel São Paulo já começou a ser avaliado pela diretoria da Aneel no mês passado, mas foi suspenso por pedido de vista do diretor Gentil Nogueira.

Depois do apagão da semana passada, o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, chegou a pedir em ofício que Nogueira trouxesse o processo novamente para discussão da diretoria na reunião extraordinária do regulador marcada para esta quinta-feira.

Nogueira respondeu, porém, que o processo não poderia ser pautado ainda porque faltam "informações relevantes", citando uma avaliação que está sendo conduzida pela área técnica da Aneel sobre a atuação e o desempenho da Enel São Paulo no evento climático extremo da semana passada.

SAÍDA DA ENEL EM GOIÁS

Em 2022, a Enel vendeu sua concessionária de distribuição de energia em Goiás para o grupo Equatorial após fortes críticas de autoridades sobre má prestação dos serviços no Estado.

Mas diferentemente do caso de São Paulo, em Goiás a Enel possuía um contrato de distribuição mais recente e com cláusulas concretas para disparar a possibilidade de caducidade. Como estava comprovadamente descumprindo indicadores de qualidade, conforme apuração da Aneel, havia maior pressão sobre a empresa para vender a concessão.

No caso da Enel São Paulo, a Enel alega que não há descumprimento dos indicadores de qualidade de fornecimento dos serviços ou de outros parâmetros que pudessem levar à anulação do contrato, e que medidas para tratar de eventos climáticos extremos, como os que vêm ocorrendo recentemente, não estão previstas contratualmente.

(Por Letícia Fucuchima)

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