Por Leticia Fucuchima
SÃO PAULO, 10 Dez (Reuters) - As instalações de geração distribuída solar deverão registrar nova desaceleração em 2026 no Brasil, acentuando uma tendência iniciada neste ano devido a fatores como a dificuldade de conexão de novos projetos à rede e custo de capital maior, segundo projeções divulgadas nesta quarta-feira pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).
A entidade que representa agentes ligados à fonte renovável estima que a modalidade de pequenos sistemas solares em telhados, fachadas e terrenos crescerá 6,8 gigawatts (GW) no próximo ano, alcançando 51,8 GW de potência total.
A nova oferta da tecnologia ficará 19% abaixo dos 8,4 GW adicionados em 2025 e mais de 30% abaixo dos mais de 10 GW registrados em 2024, ano de forte crescimento das instalações.
Pelas previsões da Absolar, a desaceleração da GD será puxada principalmente pela geração compartilhada e pelo autoconsumo remoto -- segmentos mais conhecidos pelas pequenas "fazendas solares", de até 5 megawatts (MW) --, enquanto as instalações em telhados devem mostrar maior resiliência.
"Com o marco legal, os modelos de negócio da geração compartilhada e autoconsumo remoto, a cada ano que passa, pagam um pedágio maior pela injeção da energia na rede, e isso diminui a competitividade", observou o presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia.
Outros fatores que têm impactado a ampliação da geração distribuída são a taxa básica de juros mais alta, que eleva o custo de crédito para as instalações, e obstáculos para a conexão dos empreendimentos junto às distribuidoras de energia, apontou a entidade setorial.
A geração distribuída vem se popularizando no Brasil desde 2020 devido aos subsídios tarifários e foi responsável por puxar o crescimento da fonte solar, hoje a segunda principal da matriz brasileira, atrás apenas das hidrelétricas.
A maior adoção da tecnologia, porém, também criou desafios para a operação centralizada do sistema elétrico brasileiro, ampliando os riscos de apagão em momentos de consumo muito baixo no país.
Já para as grandes usinas solares, enquadradas como "geração centralizada" e sob gestão do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Absolar estima um aumento de 3,8 GW em 2026, contra 3 GW adicionados em 2025.
Muitos projetos que entrarão em operação no próximo ano foram contratados no passado, observou Sauaia, ressaltando que o aumento projetado não representa uma melhora para esse mercado, que segue prejudicado pelos cortes de geração impostos pelo ONS.
"No caso das usinas (solares) de grande porte, o grande nó que precisa ser desatado é o ressarcimento aos geradores impactados pelos cortes. Porque é justamente esse desafio que tem congelado novos investimentos e afugentado investidores e empreendedores do Brasil", disse.
(Por Letícia Fucuchima)

