Dólar tem altas leves em sintonia com o exterior após IPCA e Haddad
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 10 Fev (Reuters) - O dólar sustenta altas leves frente ao real nesta manhã de terça-feira, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior, com investidores digerindo dados de inflação no Brasil em janeiro e declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em evento do BTG Pactual.
Às 10h54, o dólar à vista subia 0,32%, aos R$5,2054 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para março -- atualmente o mais líquido no Brasil -- avançava 0,09%, aos R$5,2215.
A alta do dólar ante o real está em sintonia com o avanço da moeda ante divisas como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano, em uma sessão até o momento negativa para os emergentes.
Mais cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA, o índice oficial de inflação, subiu 0,33% em janeiro -- uma taxa igual à de dezembro e quase em linha com a expectativa dos economistas ouvidos pela Reuters, que projetavam 0,32% no mês passado. No acumulado de 12 meses até janeiro, a inflação atingiu 4,44%, também quase em linha com os 4,43% projetados, mas acima dos 4,26% de dezembro.
A abertura dos dados mostrou forte desaceleração dos serviços como um todo, com a taxa passando de 0,72% em dezembro para 0,10% em janeiro, conforme o IBGE.
Porém, a inflação de serviços subjacentes -- que excluem preços mais voláteis -- passou de 0,56% para 0,57% no período, conforme cálculos do banco Bmg, enquanto a taxa de serviços intensivos em mão de obra foi de 0,77% para 0,64%.
No geral, os números do IPCA não alteraram a expectativa de início do ciclo de reduções da taxa básica Selic, hoje em 15%, em março, mas ainda há dúvidas sobre qual será o tamanho do primeiro corte: 25 ou 50 pontos-base.
Em evento do BTG Pactual nesta manhã, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse não ver justificativa para o atual nível de juros reais no Brasil -- patamar que, segundo ele, gera efeito de alta sobre a dívida pública que o governo não consegue contrapor com “nenhum nível de superávit primário”.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -- cuja taxa de referência hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses.
Às 11h30, o Banco Central realiza leilão de 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de março.
(Edição de Isabel Versiani)
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