PEQUIM, 3 Fev (Reuters) - A China estabilizará a produção de grãos e oleaginosas, diversificará as importações agrícolas e aumentará o apoio aos agricultores, informou a mídia estatal nesta terça-feira, citando um plano de política rural do governo que visa garantir a segurança alimentar.
O "documento nº 1" do Conselho de Estado surge no momento em que a China prepara seu próximo plano quinquenal em meio a atritos comerciais com os principais fornecedores de alimentos, como os Estados Unidos e o Canadá, além de uma desaceleração econômica interna e desafios climáticos.
Embora a China tenha registrado uma produção recorde de grãos no ano passado, ela continua fortemente dependente das importações. As tensões comerciais, particularmente com os EUA, aceleraram os esforços em direção à autossuficiência, incluindo investimentos em maquinário e tecnologia de sementes.
IMPULSO À DIVERSIFICAÇÃO
O documento nº 1 menciona a diversificação três vezes, contra uma vez em 2025, destacando planos para expandir o abastecimento de oleaginosas, diversificar o sistema alimentar e ampliar as importações agrícolas.
O impulso da China para diversificar as importações agrícolas poderia reduzir a dependência dos exportadores tradicionais e expandir o comércio com o Sul Global, disse Even Rogers Pay, diretora da consultoria Trivium China, com sede em Pequim.
"(A maior ênfase na diversificação) nos mostra que os formuladores de políticas centrais veem cada vez mais a diversificação como uma estratégia para tornar o sistema alimentar da China mais seguro e mais resiliente quando ocorrem choques como desastres naturais ou guerras comerciais", disse Pay.
Em relação à soja, o plano muda da consolidação dos ganhos de expansão em 2025 para a consolidação e o aumento da capacidade de produção, sinalizando um foco maior no rendimento e na qualidade, em vez da área plantada, disse ela.
Pequim vem reduzindo a dependência da soja dos EUA — que é processada em ração para o grande rebanho suíno da China — desde a primeira guerra comercial, ao mesmo tempo em que aumenta a produção doméstica para reforçar a segurança alimentar. A participação do mercado de soja dos EUA na China caiu para 15% em 2025, ante 41% em 2016.
INOVAÇÃO AGRÍCOLA
A China planeja fomentar empresas agrícolas competitivas internacionalmente, apoiar a expansão das exportações agrícolas essenciais e especializadas, reprimir o contrabando de produtos agrícolas e se envolver na governança agrícola e alimentar global, afirma o documento.
Ele também descreve medidas para impulsionar a inovação agrícola, incluindo o fortalecimento de plataformas de pesquisa, o apoio a empresas líderes em tecnologia agrícola, o avanço do cultivo biotecnológico industrializado, a integração da IA com a agricultura e a formação de talentos agrícolas especializados.
ESTABILIZAÇÃO DO SETOR DE CARNE
A China pretende fortalecer a gestão da produção de carne suína, apoiar os setores de carne bovina e laticínios e promover o consumo de laticínios, segundo o documento.
O setor de carne foi afetado pelo excesso de oferta e pelos preços baixos, reduzindo as margens dos produtores. O governo implementou medidas para estabilizar o setor, incluindo um sistema de cotas para as importações de carne bovina e tarifas sobre os produtos lácteos da UE.
(Reportagem da Redação de Pequim, Ella Cao e Lewis Jackson)


