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Axia Energia marca assembleia em 1º de abril para votar migração ao Novo Mercado

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Axia Energia marca assembleia em 1º de abril para votar migração ao Novo Mercado
Axia Energia marca assembleia em 1º de abril para votar migração ao Novo Mercado

Por Leticia Fucuchima

SÃO PAULO, 19 Fev (Reuters) - A Axia (ex-Eletrobras) convocou para 1º de abril uma assembleia geral extraordinária (AGE) de acionistas para votar sobre a proposta da companhia de migrar para o Novo Mercado, segmento da B3 que reúne as empresas com mais elevada governança corporativa.

Na proposta para a AGE, a Axia cita vantagens com a migração ao Novo Mercado, como maior flexibilidade para distribuição de dividendos, maior atratividade de investimentos e redução da percepção geral de riscos, além de possível redução do custo de capital.

Estudada pela companhia desde 2022, a ideia de migração para o Novo Mercado foi retomada no fim do ano passado, após anos de reestruturação pós-privatização e em momento em que a Axia enxerga uma "janela de oportunidade" para avançar com o processo que poderá garantir direito de voto e dividendos iguais a todos os acionistas da empresa.

A estrutura acionária da Axia mudou no fim do ano passado, após uma operação que permitiu a distribuição de R$30 bilhões em reservas de lucro da companhia por meio de bonificação de ações.

Atualmente, essa estrutura é composta principalmente por ações ordinárias (ON), representativas de cerca de 69,5% do capital social total, e ações preferenciais PNA1 e PNB1, que somam menos de 10% do capital total, sem direito a voto mas com vantagens como recebimento de dividendo pelo menos 10% maior que cada ação ON.

Também integram essa estrutura as ações PNC, classe temporária criada para a bonificação, representativa de 20,8% do capital total, já com direito a voto e conversível em ações ON; e a "golden share", detida pela União, sem direito a voto nas assembleias gerais.

O governo brasileiro ainda é um importante acionista da Axia, mesmo após a privatização. O chamado "grupo governo", que inclui União, BNDES e outros bancos públicos, detém cerca de 45,3% das ações ordinárias da elétrica, 13,66% das preferenciais B e 40% das preferenciais C, além da golden share, segundo informações do site da empresa. Apesar disso, também está sujeito ao limite de 10% de direito de voto, imposto para qualquer acionista.

Essas duas classes de ações (PNC e a golden share) serão mantidas sem alterações em caso de migração ao Novo Mercado, conforme já autorizado pela B3, afirmou a Axia.

Já para as ações preferenciais PNA1 e PNB1, a proposta da administração da companhia elétrica prevê que a conversão deverá ocorrer na razão de 1,1 ação ON para cada 1 ação PNA1 ou PNB1.

Os termos foram considerados "justos" pelo Itaú BBA, que avaliou que a proposta reconhece o tratamento econômico diferenciado dado aos acionistas preferencialistas atualmente, com um prêmio de dividendos pelo menos 10% superior ao pago aos ordinaristas.

"Além disso, vale mencionar que o efeito de diluição para os acionistas ordinaristas é agora bastante limitado devido às PNCs, que não estão sujeitas à proposta de migração...", escreveram os analistas do Itaú BBA.

A equipe do banco também avaliou que a migração, se aprovada, trará não só "melhor alinhamento de interesses entre acionistas, mas também governança aprimorada, maior liquidez para as ações, possibilidade de atração de mais investidores estrangeiros de longo prazo e flexibilidade para a administração".

Especificamente para a PNA1, a Axia informou que recebeu autorização da B3 para "tratamento excepcional" e que a conversão em ações ordinárias não será condição para a migração ao Novo Mercado.

Segundo a empresa, a B3 reconheceu "as particularidades desta classe de ações, como o elevado grau de pulverização e a representatividade imaterial no capital social da companhia (0,005% do total das ações de emissão da companhia)".

"Assim, a migração ao Novo Mercado ocorrerá mesmo se a companhia não tiver êxito na assembleia especial de acionistas titulares de ações 'PNA1'", destacou a Axia.

Neste cenário, a assembleia de acionistas deverá aprovar reforma estatutária para conceder aos titulares das PNA1 o direito de voto pleno, em respeito ao princípio do "uma ação, um voto" que determina o regulamento do Novo Mercado.

(Por Letícia FucuchimaEdição de Camila Moreira e Roberto Samora)

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