O qualificatório aberto da Esports World Cup 2026, em Paris, reuniu nomes consagrados do Counter-Strike, como o ucraniano Oleksandr "s1mple" Kostyliev e o dinamarquês Nicolai "device" Reedtz. Entre os competidores estava também o brasileiro Kevin "Kev1nho0" Mentzing, de 21 anos, que divide os treinos com o expediente de meio período como operador de caixa em um supermercado na Alemanha.
Nascido no Brasil, ele se mudou com a família para a Europa aos 14 anos, em busca de melhores condições de vida. Jogava Counter-Strike de forma casual desde os 15, mas foi na plataforma FACEIT que passou a acumular pontuação e a formar amizades com outros brasileiros radicados no continente. Foi por meio dessas conexões que recebeu o convite para testar como capitão da Orion Wanderers, organização húngara de esportes eletrônicos pela qual atua atualmente.
Antes de fixar carreira na Europa, o jogador tentou o caminho profissional no Brasil. Passou cerca de dois meses subindo de nível em plataforma nacional, entrou em uma equipe que disputava a Série C e depois migrou para outro elenco, com o qual foi campeão da divisão. A experiência nos dois cenários o levou a uma avaliação sobre a diferença entre eles: na sua leitura, falta investimento no chamado tier 2 brasileiro, enquanto na Europa a proximidade geográfica dos campeonatos barateia a rotina de viagens e facilita a entrada em times.
No torneio parisiense, a Orion Wanderers caiu ainda na fase de grupos, com derrotas por 2 a 0 para Sashi e Partizan. Mesmo assim, o brasileiro avalia a participação como um passo importante para ganhar visibilidade no cenário e, quem sabe, negociar um contrato que lhe permita abandonar o emprego fora dos jogos. Ele lembrou que esteve no Major de Estocolmo, em 2021, como torcedor, tirando fotos ao lado dos jogadores que admirava — e que desta vez posou como competidor.




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