Terceiro filho de dona Maria Rosa, o grande favorito ao prêmio de R$ 1,5 milhão do "BBB15" nasceu em Inácio Martins, em 1984. Muito pobre, a família de Cézar Lima foi ter a primeira televisão em casa no ano 2000, quando ele já era um adolescente de 15 anos. Antes disso, ela já tinha mudado a maneira como ele via o mundo. Visitava os vizinhos só para assistir a TV. E havia prometido para si mesmo: um dia seria famoso, não importava como.
Em plena década de 80, a mãe de Cézar deu à luz todos os filhos em sua casa, composta por um quarto, uma cozinha e uma despensa. Quase morreu no parto de Janete e Edson, os irmãos mais velhos. Pariu Cézar sozinha, enquanto o marido, Darcílio, foi correndo pegar o cavalo para chamar a parteira.

Cézar fez valer o investimento nos estudos. Sempre foi um aluno comportado, dono de boas notas, esforçado. O comportamento exibido no "Big Brother", de pouca conversa e isolamento, é característico desde a infância, afirma a irmã Janete. Segundo sua mãe, a única coisa que o fazia chorar era se faltasse bola para o futebol.
Sem dar certo no futebol, Cézar entrou para a faculdade de economia. Darcílio conta que foi com muita dificuldade que conseguiram pagar as mensalidades, com sacrifícios de todos. Fizeram empréstimos. Para pagar, Rosa até hoje, aos 59 anos, trabalha como empregada doméstica, em Londrina. Mesmo aposentado, Darcílio, de 67 anos, também trabalha como jardineiro. Quando cursava economia, Cézar passava o dia na cidade e almoçava apenas um pão, de acordo com Rosa.

Também foi enquanto cursava economia que adquiriu o hábito de falar difícil, entrega a irmã Janete. "Ele circulava as palavras que não entendia nos livros e depois procurava na internet", afirma. O palavreado empolado acabou se tornando marca registrada de Cézar no dia a dia, inclusive nas conversas com os amigos e nos trabalhos da faculdade.
Segundo os colegas de turma, Cézar é no "Big Brother" a mesma coisa que é na sala de aula: reservado, só fala com quem tem intimidade e é avesso à confusão. Melhor amigo de Cézar na faculdade, Lucas Pelegrini conta que, em três anos de curso, o brother só foi a um churrasco – apesar de sempre ser convidado –, não gosta de baladas, nunca acompanha os colegas nos bares, sempre chega mais cedo nas aulas para ficar estudando (informação confirmada pelo professor e pelos colegas) e é sempre visto na biblioteca.
Nas últimas eleições municipais, disputou o cargo de vereador pelo Partido Social Liberal Nacional (PSL), com o objetivo exclusivo de aparecer na TV. Obteve apenas 57 votos, mas conseguiu seu objetivo. Com seu discurso que virou marca registrada no "Big Brother", apareceu em uma reportagem do Fantástico que reunia os candidatos com as campanhas mais bizarras do Brasil.

De alguma forma, todas essas características caíram no gosto do público. A forte religiosidade, traço de grande parte da população brasileira, também conta a seu favor. Cézar é católico fervoroso, do tipo que vai à missa todo domingo.
Cézar, que nasceu em uma cidadezinha do interior do Paraná, conheceu a TV somente perto da virada do milênio, parece ter percebido isso instintivamente, e compreendido melhor do que ninguém a resposta para a pergunta de R$ 1,5 milhão.
Fonte: Uol









