
BRASÍLIA, 23 DE FEVEREIRO DE 2014 – O escritor e jornalista Ray Cunha lança seu novo livro, Na Boca do Jacaré-Açu – A Amazônia Como Ela É (Ler Editora, Brasília, 153 páginas, R$ 25), dia 12 de março, a partir das 18h30, no Sebinho, complexo integrado por livraria, cafeteria e restaurante, na 406 Norte, Bloco C, Loja 30/72, com apoio da Preserve Amazônia e da Proativa Comunicação. O livro já está à venda no site: www.lereditora.com.br. Livreiros devem fazer pedidos pelo e-mail: [email protected] ou pelo telefone: (55-61) 3362-0008.
Na Boca do Jacaré-Açu – A Amazônia Como Ela É e Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos (edição do autor, Brasília, 116 páginas) serão autografados também em Manaus, em data ainda a ser definida. Correspondente em Brasília do Portal do Holanda, Ray Cunha começou sua carreira jornalística em Manaus, primeiramente noJornal do Commercio e depois no extinto A Notícia e em A Crítica, na década de 1970, juntamente com jornalistas como Isaías Oliveira, Raimundo Holanda e Orlando Farias. Na mesma época, frequentou o Clube da Madrugada.
Na Boca do Jacaré-Açu enfeixa 14 histórias curtas, ambientadas em Belém do Pará, que perpassa todos os contos e acaba sendo personagem subjacente, e a quem o autor dedica o livro. Algumas histórias têm sequências no Ver-O-Peso, maior feira livre da Ibero-América, e que aparece em fotomontagem na capa desta edição do livro, bem como no Marajó, “maior ilha flúvio-marítima do planeta, ao sul do rio Amazonas, o maior do mundo, e que despeja por segundo pelo menos 200 mil metros cúbicos de água e húmus no Atlântico, tornando as costas do Amapá e do Pará as mais piscosas da Terra; apesar disso, a Amazônia Azul setentrional é a menos estudada pela academia e a mais mal guardada pelo estado brasileiro” – comenta Ray Cunha.
“O conto que dá título ao livro, Na Boca do Jacaré-Açu, é o mergulho suicida do arqueólogo Agostinho Castro nos abismos do Mundo das Águas, a confluência dos rios Amazonas, Pará, Tocantins e Guamá, e o oceano Atlântico, cercando o arquipélago de Marajó, mais de mil ilhas, a maior delas do tamanho de Portugal. Jacaré-açu é o grande réptil amazônico, que atinge mais de 6 metros de comprimento e meia tonelada de peso, e que no conto representa a morte, na pessoa do pai de Agostinho, Castro e Castro” – desvenda o escritor.
Na Boca do Jacaré-Açu é o segundo volume de contos que se encaixam no contexto do subtítulo do livro: A Amazônia como ela é. No primeiro volume, Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos (edição do autor, Brasília, 116 páginas), a Amazônia é também a base da ficção de Ray Cunha; tanto a Hileia quanto as metrópoles da selva estão presentes nas histórias. “Isto é a Amazônia” – comentou, ao ler Trópico Úmido, o coronel Gelio Fregapani, mentor da Doutrina Brasileira de Guerra na Selva, fundador e comandante do Centro de Instrução de Guerra na Selva, um dos intelectuais brasileiros que mais conhecem geopolítica da do Trópico Úmido, autor, entre outros títulos, de Amazônia - A Grande Cobiça Internacional (Thesaurus Editora, Brasília, 2000, 166 páginas).
“Sou caboco de Macapá, cidade da Amazônia Caribenha que tremeluz na Linha Imaginária do Equador e se debruça no estuário do Amazonas, a cerca de 200 quilômetros da boca do maior rio do planeta, quando o Mar Doce penetra fundamente o Atlântico, fertilizando-o até o Caribe” – diz Ray Cunha, que trabalhou como repórter e editor nos maiores jornais da Amazônia. Além do Jornal do Commercio, no extinto A Notícia e em A Crítica, em Manaus, trabalhou em O Liberal, Diário do Pará e no extinto O Estado do Pará, em Belém; e no extinto A Gazeta do Acre, além de colaborar com o Varadouro, ambos editados pelo jornalista Elson Martins, em Rio Branco.
Ray Cunha é autor do romance A Casa Amarela e da novela A Caça, pela Editora Cejup, de Belém; O Casulo Exposto, pela antiga LGE Editora, hoje Ler Editora, de Brasília; e dos livros de contos A Grande Farra (Brasília, 1992) e de poemas Sob o Céu Nas Nuvens (Belém, 1982), em edição do autor. Para o jornalista e escritor Maurício Melo Júnior, que apresenta o programa Leituras na TV Senado, o escritor amapaense representa a moderna literatura amazônica, “temperada em um bom caldo de tucupi”.
Desde 1987, Ray Cunha vive em Brasília, onde trabalhou como repórter e editor de jornais como Correio Braziliense e sites como ABCPolitiko, no qual assinou, durante quatro anos, a coluna Enfoque Amazônico.

Confira a entrevista com o autor
Como e por que você escolheu o título Na Boca do Jacaré-Açu?
Trata-se da história que dá título ao livro. Jacaré-açu é o grande réptil amazônico, que atinge mais de 6 metros de comprimento e meia tonelada de peso. No caso do conto, que se passa em Belém e na ilha de Marajó, representa a simbologia da morte. A personagem central da novela, o arqueólogo Agostinho Castro, é filho de um homem forte, dominador e suicida, Castro e Castro, que o leva à boca do jacaré-açu.
Em que período você escreveu os contos que compõem a obra?
Todos eles foram produzidos nos anos 1980/1990. Alguns já foram publicados; outros são inéditos.
Os contos têm alguma ligação, um fio temático que os una e justifique, formando uma obra única?
Sim. Todas as histórias são ambientadas em Belém do Pará, conhecida como Cidade das Mangueiras, Cidade Morena, Portal da Amazônia, a quem eu dedico o livro; algumas histórias contêm sequências no Ver-O-Peso, a maior feira livre da Ibero-América. O conto que dá título ao livro, Na Boca do Jacaré-Açu, como já disse, é também ambientado no Marajó, a maior ilha flúvio-marítima do planeta, situada no que eu chamo Mundo das Águas, especialmente o Amazonas, o maior rio do planeta, e que despeja no Atlântico pelo menos 200 mil metros cúbicos de água por segundo.
Qual a diferença entre ter a Amazônia como cenário em comparação com temas urbanos ou rurais?
O livro Na Boca do Jacaré-Açu é ambientado na mais importante cidade e maior zona metropolitana da Amazônia brasileira, Belém do Pará, e no realismo fantástico de Marajó. É, portanto, recriação urbana e rural.
Quais escritores influenciaram sua obra e em quê?
Os escritores que me influenciaram – alguns ainda me influenciam – são muitos, mas há os mais importantes, os que abrem a porta para outras dimensões, como Antoine de Saint-Exupéry, Ernest Hemingway, Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa, William Faulkner, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Euclides da Cunha, e, no caso da Amazônia, Benedicto Monteiro, o mago de Verde Vagomundo. Todos eles me ensinaram, e continuam ensinando, coisas simples, mas fundamentais, como, por exemplo, enxergar uma rosa nua, extrair gemidos femininos das palavras, montar a luz, mergulhar como leão de asas, ver com o coração e garimpar rubis verdes.
Seus livros têm elementos autobiográficos? Quais?
Tudo o que fazemos é autobiográfico, o que não quer dizer que os livros que escrevemos são autobiográficos. Trata-se de um paradoxo, estou ciente disso. O que fazemos é autobiográfico porque o fazemos; contudo, a realidade carnal não existe, porque é limitada por altura, largura, espessura, gravidade e tempo. Só existe, permanentemente, a realidade absoluta, Deus. Assim, as autobiografias são romanticamente heroicas e jornalismo, às vezes, é mentira pura. Nesse aspecto, quando se fala em ficção verdadeira é porque o autor deu à luz. Deixando a filosofia de lado, há muitos elementos autobiográficos no meu trabalho, especialmente cidades, como Belém, Macapá, Manaus e Rio de Janeiro.
E os personagens dos contos? Foram baseados em pessoas conhecidas ou são criações da imaginação do escritor Ray Cunha?
Há personagens que nascem prontas; outras, são retalhos de várias pessoas; algumas, ainda, apresentam-se em sonhos e por meio de sons e visões.
Explique uma de suas marcas como escritor: a repetição, em diferentes obras, de elementos emblemáticos, como Chanel nº 5 e a personagem Frênia.
Tu bem o disseste: emblemáticos. Chanel 5 simboliza, para mim, sensualidade; o Caribe; noites tórridas, encharcadas de jasmim, em Macapá; maresia; o azul, tão azul que sangra; o perfume das virgens ruivas; rosas nuas; o primeiro beijo; colostro; negra em vestido de seda; mulher na chuva; espilantol. Daí porque são elementos recorrentes no meu trabalho de criação. Mais de uma pessoa querida já me alertou para o que lhes parece falta de criatividade. Mas certos elementos na escrita de um autor são como fases na produção de um pintor: passam. Quanto à Frênia, trata-se de um nome feminino danado de sensual; remete-me a frêmito, frenesi, frenética. Frênia soa como a uma certa noite em que nos dedicamos a mergulhar o mais fundo possível na mulher mais sensual do mundo; ela é lindíssima porque a desejamos, e está na nossa frente, nua.





