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Marco Pigossi abre o jogo sobre revelação da sexualidade e síndrome do pânico antes de se assumir

Marco Pigossi abre o jogo sobre revelação da sexualidade e síndrome do pânico antes de se assumir
Marco Pigossi abre o jogo sobre revelação da sexualidade e síndrome do pânico antes de se assumir

Marco Pigossi se abriu sobre a sua vida pessoal em uma entrevista nesta sexta-feira (7), após falar pela primeira vez sobre o assunto em novembro do ano passado, assumindo o namoro com o cineasta Marco Calvani. O ator revelou os bastidores e as dificuldades que ele passou antes de assumir a sua sexualidade, chegando a sofrer de síndrome do pânico e se distanciar do pai, Oswaldo Pigossi, durante as eleições presidenciais, por ser eleitor de Jair Bolsonaro.

"Eu não tinha referência alguma no meu convívio e, quando assistia à televisão, nada servia como alento. Nas novelas ou nos programas de humor, quase sempre os gays eram retratados de forma caricata, pejorativa. Então, me sentindo solitário e sem amparo, me restava torcer para que fosse apenas uma fase", disse o ator em entrevista à revista Piauí.

O ator contou que precisou fazer terapia durante a novela Caras & Bocas, na qual interpretou um gay afeminado, seu primeiro papel de destaque. "Na minha cabeça, não havia nenhuma margem de chance para eu me assumir. Se fizesse isso, todas as portas se fechariam para mim de forma automática (...) Essa possibilidade me aterrorizava", lembrou ele.

Marco conta que por ter uma  "aparência heteronormativa", acabou sempre recebendo convites para o papel de mocinho. "Estava infeliz por dentro. Seguia me escondendo. Na verdade, eu me fazia passar por um heterossexual por pura e simples manifestação de medo" . Sabendo que muitos atores assumidamente LGBTQIA+ têm seus papéis limitados, a situação ficava cada vez mais difícil para que ele assumisse a sua verdade.  O ator passou a tomar remédios para lidar com o pânico. Mas a terapia foi o que ajudou Marco Pigossi a se aceitar.

Ele falou também sobre o afastamento do pai por questões políticas e pela não aceitação do relacionamento.  "E então vieram a candidatura e a eleição de Jair Bolsonaro em 2018. Meu pai (Oswaldo Pigossi) votou em Bolsonaro. Durante os oito anos do meu namoro com um homem, minha família sempre soube. Mas meu namorado e eu nunca jantamos com meu pai, que jamais perguntou sobre meu relacionamento" , desabafou.

"Minha vida amorosa era um não assunto. E, quando meu pai votou em Bolsonaro, senti uma dor profunda, uma tristeza profunda (...) Meu pai e eu ficamos sem nos falar durante o ano da eleição – e até hoje temos contatos apenas esporádicos. O abismo, que já era grande, tornou-se ainda maior", afirmou.

O ator também revelou que a decisão de não renovar contrato fixo com a Globo ganhou força pelo fato que para ele, seria menos doloroso se assumir gay e trabalhar como ator morando em outro país.

Além de já ter gravado a série espanhola Alto Mar e a australiana Tidelands, o brasileiro será produtor executivo de um documentário chamado CorPolítica.

Pigossi contou qual foi a sensação de ter finalmente se assumido para o público. Ele afirmou que o namorado, com quem está junto há um ano e meio, avisou que postaria fotos do casal.  "Eu topei, mas senti uma certa apreensão. Qual seria a reação das pessoas? (...) Postei e fiquei com um frio na barriga. (...)  Recebi mais parabéns do que no dia do meu aniversário" , disse.

"Foi uma libertação. Uma festa. Nada como viver às claras, ser o que se é em privado e em público. Talvez os futuros galãs não sintam o mesmo medo que eu senti de perder minha carreira. Bolsonaro trouxe uma onda de ódio inacreditável, mas o efeito colateral foi fortalecer todos nós, gays. Naquele feriado, as respostas foram um alento imenso, o acolhimento de um mundo inteiro. Marco e eu convidamos uns amigos para comemorar. Tomei um porre. E hoje me sinto invencível ", finalizou.

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