A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa preventivamente na manhã desta quinta-feira (21), em Barueri, na Grande São Paulo. Ela é um dos alvos da Operação Vérnix, uma ação conjunta entre o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Polícia Civil que visa desarticular um megaesquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Deolane estava na Itália e chegou a ter seu nome chegou a ser incluído na lista de difusão da Interpol, mas ela retornou ao Brasil nessa quarta-feira (20), véspera da deflagração da Operação Vérnix. Ela foi presa em casa e a polícia cumpre contra ela outros mandados de busca e apreensão.
A operação também expediu um novo mandado de prisão preventiva contra Marco Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo da facção que já cumpre pena em presídio federal, e resultou na prisão de Everton de Souza, o “Player”, apontado como o operador financeiro do grupo criminoso.
O esquema utilizava uma transportadora de cargas localizada em Presidente Venceslau, no interior paulista, como fachada para a movimentação de recursos ilícitos. Conforme os investigadores, Deolane teria recebido valores provenientes da facção por meio dessa empresa. A estrutura financeira, que movimentou centenas de milhões de reais, contava ainda com a participação de familiares de Marcola, incluindo seu irmão e sobrinhos que residem no exterior.
Bloqueio bilionário de bens e valores
A Justiça determinou um duro golpe na estrutura financeira dos investigados, ordenando o congelamento de contas e o sequestro de patrimônio de luxo:
Bloqueio financeiro geral: Cerca de R$ 357,5 milhões em contas bancárias.
Patrimônio de Deolane Bezerra: Bloqueio específico de R$ 27 milhões em bens ligados à influenciadora.
Apreensão de frotas: 39 veículos confiscados, com valor estimado em mais de R$ 8 milhões.
Reincidência e histórico de investigações
Esta é a segunda vez que a advogada é detida por envolvimento em crimes financeiros. Em 2024, Deolane havia sido presa sob a acusação de criar uma plataforma de apostas esportivas para lavar dinheiro de jogos ilegais, movimentando mais de R$ 65 milhões em carros e imóveis de alto padrão.
A investigação que culminou nas prisões de hoje teve início em 2019, após a interceptação de bilhetes escritos por detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os manuscritos detalhavam ordens internas e expunham a Engenharia Financeira da facção. Com o foco voltado para os financiadores e operadores do esquema, as autoridades buscam sufocar o poder econômico que sustenta a cúpula da organização criminosa.



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