Cristiana Oliveira critica queimadas no Pantanal e demissões na Globo

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

18/09/2020 19h34 — em Famosos & TV

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No dia em que a televisão brasileira completa sete décadas, a convidada do Ao Vivo em Casa, foi a atriz Cristiana Oliveira, 56, eternizada pelo papel de Juma na novela "Pantanal", que estreou em 1990 na TV Manchete e deve ganhar um remake da Globo no ano que vem. A conversa foi mediada pela jornalista Laura Mattos, colunista da Folha de S. Paulo.

Oliveira, que vem denunciando as queimadas no que já atingiram quase 20% de todo o bioma, criticou exageros do governo. "Sou contra pessoas que só pensam no agronegócio, pecuária, e deixam nossa natureza ser destruída", disse a atriz, que concluiu: "Não adianta exacerbar na economia e daqui a pouco a gente não ter ar para respirar".

Oliveira afirmou que a novela "Pantanal" mudou sua vida para melhor como ser humano e afirma que a refilmagem da Globo prevista para o ano que vem vai "misturar entretenimento com realidade". Para atriz, a novela vai comunicar a história para a nova geração. "Principalmente, em meio a essa situação drástica. Quem sabe o vilão não vai ser um fazendeiro que queima seu pasto?"

Oliveira considera que não é justo comparações com a próxima atriz que interpretará a próxima protagonista Juma. "A alma da história existe no texto do Benedito Ruy Barbosa, o Bruno Luperi está adaptando porque é nos dias de hoje e a Juma existe no texto do Benedito".

Com 31 anos de carreira, a atriz já passou por emissoras como Manchete, Globo e Record. Ela relembra que no início de carreira, na Manchete, havia um ritmo mais lento, mas que havia um desejo entre os envolvidos nas produções para que tudo desse certo.

Acostumada a gravar no máximo 20 cenas por dia, Oliveira penou para se acostumar com o ritmo da Globo, a Hollywood brasileira, quando entrou em 1992. "Cheguei a gravar 55 cenas em um dia, a minha interpretação ficou comprometida", contou ela que disse que à época a diretora Glória Perez chamou sua atenção. "Ela me disse 'sei que você veio da Manchete, está acostumada com outro ritmo, mas você tá precisando de vida na tua personagem".

Oliveira, que trabalhou na emissora durante 22 anos, comentou sobre recentes demissões de astros, como Tarcísio Meira, Glória Menezes, Antônio Fagundes e Renato Aragão. "O pensamento da globo é como uma empresa, mas isso é frio demais, a gente tá lidando com patrimônios da TV brasileira, que eles sejam até negociados, mas fiquem. Usem os veteranos na televisão, eles são importantes".

Em relação ao aniversário de 70 da televisão brasileira, ela disse desejar que nunca acabe. "[Espero] que continue escolhendo cada vez mais histórias verdadeiras, que continuem atingindo o coração das pessoas, a TV tem que continuar com as histórias não só entretendo como atraindo. Não estamos num momento só do entretenimento, mas da conscientização, de rir de si mesmo, tomara que nunca morra", disse.