Este ano, Berlim, fiel à sua vocação política, volta-se para a Primavera Árabe. Há um ano, os acontecimentos na Tunísia e no Egito estavam redesenhando a geopolítica do mundo árabe. Logo em seguida veio a campanha pela deposição de Muamar Kadafi na Líbia e, agora mesmo, o estado de guerra civil permanece na Síria. A Berlinale põe o foco no mundo árabe. Documentários e ficções, assinados por diretores árabes e de diferentes latitudes, estarão debatendo essas questões. Os convidados incluem o escritor marroquino Tahar Ben Jelloun, os diretores Mahmoud Hojeij (Líbano) e Nadia El-Fani (Tunísia/França), o jornalista Mohamed Ali Atassi (Síria/Líbano), a curadora egípcia Sarah Rifky (Egito), o ativista sírio Hala Al Abdallah e, surpresa, o ator e produtor espanhol Javier Bardem.
O maior astro da Espanha - o pai do filho de Penelope Cruz - vem discutir como a Espanha, um país em crise, pode participar das mudanças. A política dá as cartas, mas o festival não seria de cinema se não houvesse os filmes. De cara, Berlim apresenta duas grandes atrações. O longa de abertura é o francês "Adeus à Rainha", de Benoit Jacquot, com Diane Kruger e Lea Seydoux, e na sequência Stephen Daldry e sua trupe vão mostrar "Tão Perto e Tão Longe". Na última vez que a França abriu a Berlinale, o filme era "Piaf, Um Hino ao Amor" e Marion Cotillard fez o sucesso que todo mundo sabe. Jacquot é um radical da revolução estética.
Cerca de 300 mil ingressos já foram vendidos - numa Europa em crise, mas na qual a chanceler Angela Merkel assume a liderança das iniciativas para manter a região unida, a Berlinale de 2012 já é um sucesso. Os números são todos superlativos - 4 mil jornalistas, 19 mil participantes e convidados de 115 países. E os filmes - 18 em competição pelo Urso de Ouro, mais centenas distribuídos pelas diversas seções paralelas. O Brasil não compete este ano. Quer dizer. As cores do Brasil integram um dos filmes da competição, o português "Tabu", de Miguel Gomes, que tem, inclusive, um ator brasileiro - de São Paulo - no elenco. Ivo Muller integra o elenco das peças "Doze Homens e Uma Sentença" e "Cartas a Um Jovem Poeta" (baseada nos textos de Rainer Maria Rilke). E, claro, "Xingu", de Cao Hamburger, e "Olhe pra Mim de Novo", de Claudia Priscilla e Kiko Goifman, estão no Panorama e no Panorama Especial, respectivamente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
