RIO - O técnico Abel Braga, que perdeu tragicamente o filho caçula, João Pedro, de 18 anos, no último sábado, foi confortado por amigos ao longo da noite, no salão nobre do Fluminense, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, local do velório. O presidente do clube, Pedro Abad, desdobrou-se durante todo o dia. Chegou a ir ao Instituto Médico Legal e foi o primeiro a chegar ao clube, antes mesmo de Abel, que em nenhum momento esteve só. Querido pelo grupo, o treinador recebeu o abraço de Diego Cavalieri, Douglas e Gustavo Scarpa, que encabeçaram a fila de solidariedade, repleta de jogadores, nas Laranjeiras.
Aos familiares de Abel, o perito responsável pelo caso sustentou que João Pedro, que fazia uso de medicamento anticonvulsivo, caiu acidentalmente de costas, do sexto andar do apartamento no Leblon, atravessando o basculante do banheiro, onde tomava banho. A janela, grande e vertical, era baixa, acima de uma mureta de aproximadamente 90 centímetros e não estava travada. A hipótese de uma convulsão ganhou força porque, durante o acidente, o vaso sanitário chegou a ser quebrado. Na queda, João Pedro fraturou as duas pernas e a coluna.
Inconsolável, Abel lembrou que o filho vivia "a melhor fase de sua vida, feliz com a universidade". O treinador admitiu que o rapaz, fazendo tratamento para convulsões, talvez tivesse se esquecido de tomar o medicamento.
Desde a madrugada, coroas de flores foram enviadas por jogadores e entidades em forma de solidariedade à família de Abel. O atacante Rafael Moura, campeão brasileiro em 2012 com o técnico no Fluminense e hoje no Atlético-MG; foi um dos que prestou a homenagem. O Santos Futebol Clube e o Grupo Base, da política tricolor, também enviaram.
As visitas continuaram durante a manhã. A todo tempo, um jogador ou personalidade ligada ao Fluminense entra no clube. Já passaram pela sede o volante Wendel, promovido por Abel aos profissionais, que é um dos destaques do time, Roberto Horcades, ex-presidente do clube, e o cantor Fagner.
Foi realizada uma missa de extrema unção. Ela foi realizada pelo padre Omar, pároco da capela do Corcovado. O sepultamento será neste domingo, por volta das 11 horas, no Memorial do Carmo, na Zona Norte do Rio.

