Do buraco institucional em que o Vasco se encontra, não se sai de uma hora para a outra. Por isso, cada conquista tem seu valor, especialmente aquelas relacionadas ao futebol, grande calo da torcida. Ao bater o América-MG, neste sábado, por 4 a 1, o time não se livrou da pressão que tomou conta de São Januário. Mas garantiu um clima menos inflamado após uma semana marcada pela eliminação na Libertadores e invasão ao treino.
Talvez por conta desses últimos episódios — aliados à baixa atratividade do jogo — o público em São Januário tenha sido decepcionante, com pouco mais de 3 mil pagantes. Ao menos a paz, tão cara nos últimos dias, esteve garantida aos bravos presentes.
Dentro de campo, o time demorou a engrenar. Diante de um adversário organizado, mas candidato ao rebaixamento graças a sua limitação técnica, o Vasco expôs fragilidades. Era, inicialmente, um time torto, que só construía pelo lado direito, com avanços de Rafael Galhardo e Yago Pikachu.
A missão, que já não se desenhava fácil, tornou-se ainda mais complicada quando Thiago Galhardo, atrasado, derrubou Norberto dentro da área. Rafael Moura cobrou o pênalti do lado direito e fez 1 a 0. Para piorar, o jogador vascaíno se lesionou no lance e precisou ser substituído. Esse revés, porém, acabou por trazer a campo uma peça fundamental para a virada: Bruno Cosendey.
Após o intervalo, o Vasco “virou a chave”. Mais intenso, encurralou o fraco adversário. E foi com participação dupla de Cosendey que construiu a virada. Primeiro, o camisa 32 marcou o dele, após jogada individual de Caio Monteiro, aos 11 minutos. Aos 17, os papéis se inverteram, e o foi a vez de Cosendey servir de garçom para Monteiro fazer 2 a 1.
A pegada se manteve, e, de novo, um reserva fez a diferença. Kelvin construiu bela jogada pelo lado direito e tocou para Andrés Ríos ampliar. Depois, o próprio ponta garantiu a goleada em uma cabeçada que encobriu o goleiro João Ricardo. Após o apito final, Kelvin chorou e foi abraçado pelos companheiros. Foi o alívio particular do jogador, que ficou quase um ano longe dos gramados e voltou a atuar na quarta, contra o Cruzeiro.
— Foi difícil para caramba, quem passou por isso sabe o que eu estou sentindo agora. Minha família, minha cidade, meus amigos, todo mundo sabe o que eu estou sentindo.
O atacante também destacou a importância do resultado para que o time viva dias mais tranquilos:
— Nosso objetivo na Libertadores acabou, mas a gente conversou no vestiário, e agora é outro campeonato, com novos objetivos.

