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Uma das sedes da Copa, Kaliningrado se vê presa aos planos russos

O mapa das cidades que receberão partidas da Copa do Mundo de 2018 indica uma concentração de sedes na parte ocidental do território russo. Mas um dos locais de disputa conserva uma particularidade geográfica: está além das fronteiras, a quase 1.300 km da capital, Moscou. Trata-se de Kaliningrado, uma região espremida entre a Polônia e a Lituânia, às margens do Mar Báltico e com um passado que reflete bem o que foi o continente europeu no século 20.

Fundada em 1255, a cidade — que ainda levava o nome de Königsberg — pertenceu ao território prussiano até a unificação da Alemanha. Os conflitos da Segunda Guerra, porém, devastaram a região, que — com a redefinição das fronteiras no Velho Continente — foi anexada pela União Soviética e passou a ter seu nome atual, em homenagem a Mijail Kalinin, revolucionário bolchevique amigo de Stalin.

O desejo de transformar a cidade fez com que, em 1968, o ex-chefe do Partido Comunista Leonid Brezhnev ordenasse a implosão das ruínas do Castelo de Königsberg, “um ninho do militarismo e do fascismo”. Próxima dali, começou a ser erguida a Casa dos Sovietes, que deveria funcionar como uma espécie de sede do governo local.

Mas o que se tornaria o símbolo de um regime político virou um estorvo. Desde o início, problemas na fundação do terreno tornaram a obra inviável. Com o passar das décadas e a escassez de recursos, o prédio enfrentou diversos momentos de abandono, que refletiam as dificuldades de um regime decadente. Em 2005, durante visita de Vladimir Putin à região, o local ganhou reparos na área externa, tornando-se azul e branco.

correria na reta final

Já em 2018, porém, uma outra construção concentrará as atenções do mundo: o Kaliningrad Stadium, sede de quatro partidas da fase de grupos da Copa, umas delas o duelo entre Sérvia e Suíça, pelo grupo E, o mesmo do Brasil.

A menos de seis meses do megaevento, os russos correm para finalizar as obras de uma construção erguida sob polêmica, com acusações de mau uso de recursos e estudos extraoficiais que apontam qualidade inferior à desejada. Também há correria para finalizar a reforma do aeroporto local, que, acredita-se, estará pronto até março.

Depois da Copa, a capacidade do estádio será reduzida para cerca de 25 mil pessoas, e lá serão mandados os jogos do Baltika Kaliningrad, da segunda divisão russa.

Enquanto se prepara para receber o Mundial, Kaliningrado lida com uma contradição particular. Nos últimos anos, foi palco de focos de insatisfação contra o governo central. Contudo, segue longe dos níveis de abertura vistos nos países que o cercam, e sua população não goza da prosperidade econômica dos vizinhos da União Europeia.

Além disso, o estado onde está localizada se tornou território de forte militarização, devido à proximidade com o Ocidente. Cidade de rico passado histórico-cultural, Kaliningrado tem hoje um tom cinza. A esperança é que o Mundial traga alguma cor.

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