Ter uma brasileira nesta posição é raro. Antes de Teliana Pereira, que chegou ao posto pela primeira vez em julho, a última tinha sido Andrea Vieira, em 1990, ao alcançar o 95.º lugar. Feliz por ter atingido seu objetivo antes do esperado, a pernambucana trabalha para finalizar o ano dentro do top 100 e tenta manter a tranquilidade para evitar frustrações. "Não posso pular etapas. O objetivo principal é terminar entre as 100. A partir do ano que vem a gente vai colocar outras metas", afirmou.
A brasileira já conquistou quatro títulos neste ano e no último domingo chegou à 10.ª vitória consecutiva. Teliana Pereira ainda tem pela frente várias competições pela Europa: mais dois challenger em piso de saibro e premiação de US$ 25 mil - Sevilha e Vallduxo (Espanha) - e duas disputas de nível WTA em quadra rápida e com prêmios de US$ 235 mil - Linz (Áustria) e Luxemburgo.
Após a ótima participação no WTA de Bogotá, em fevereiro, quando chegou à semifinal e conseguiu mais um resultado histórico para o tênis brasileiro feminino desde Niege Dias, em 1989, a pernambucana mostra ter ganhado confiança. "O que antes ainda era uma conquista meio distante, a campanha que fiz em Bogotá me fez acreditar. Agora acredito que posso ganhar um WTA", comentou.
A atleta descarta ter um segredo para o sucesso. Para ela, a presença em grandes torneios e a proximidade com tenistas de alto nível, somadas a um intenso trabalho físico que vem fazendo desde que sofreu séria lesão no joelho direito, têm sido fundamentais para sua evolução.
Em 2008, a tenista passou por duas cirurgias e ficou mais de um ano sem competir. "Tive dias bem duros, não sabia se ia conseguir voltar a jogar. Eu treinava cinco, dez minutos e começava a doer. No dia seguinte era a mesma coisa. O apoio da minha família, dos meus amigos e do meu namorado (Alexandre Zornig) foi muito importante", recordou.
A palavra superação sempre fez parte do vocabulário da atleta de 25 anos. Filha de um ex-bóia-fria, Teliana Pereira passou os primeiros anos de vida em Barra da Tapera, no município de Águas Belas (PE). O pai, José, deixou o sertão em busca de melhores condições de vida até se estabelecer em Curitiba, no Paraná, e conseguir recursos para buscar a família. E os primeiros passos da garota no tênis aconteceram na academia do francês Didier Rayon, onde começou pegando bolinhas.
E ela mostra gratidão por sua trajetória até assumir o posto de tenista número 1 do Brasil. "Mesmo se não chegar a estar entre as 20 melhores do mundo, vou terminar a carreira superfeliz. Com o tênis pude ajudar minha família. Tudo o que eu conquistei foi com muita batalha e com muito trabalho. Me sinto uma vencedora", afirmou, orgulhosa.

