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Sensação do Mirassol rodou América Latina e tentou educar sobre racismo

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Chico da Costa virou o nome da vez no Mirassol após começo avassalador e tem, enfim, se firmado em solo nacional. Antes de ser destaque na surpresa do Brasileirão, o atacante foi na contramão da maioria e, em vez de buscar mercados alternativos na Europa ou na Ásia, se tornou um "andarilho" pela América Latina.

EM BUSCA DO SONHO

Chico da Costa nasceu em Taquari (RS) e passou por Athletico-PR, Inter de Lages-SC, Operário-PR, Tombense-MG e São José-RS. Mas, sem destaque e fazendo a transição da base para o profissional, resolveu arriscar.

México, Paraguai, Bolívia, Colômbia... O atacante rodou pela América Latina até voltar ao Brasil no mês passado, emprestado pelo Cerro Porteño (PAR) ao Mirassol. Aos 30 anos, ele diz que não tinha noção do que estava fazendo quando resolveu apostar no mercado alternativo.

"Sinceramente, se eu voltasse no tempo e me perguntassem se eu sabia o que eu estava fazendo, eu diria que não. Só fui mesmo, apareceu a oportunidade, botei a cara. Estava precisando jogar nessa época. Sou uma pessoa que tem um pouco de facilidade com os idiomas, para me integrar. Naquela época eu não tinha muito noção do que estava fazendo. Depois, eu me dei conta que eu já estava fora, já tinha aberto o mercado fora e fui levando", disse o jogador ao UOL.

A jornada começou em 2017. Chico passou por Venados, Atlante e Querétaro (México), foi para o Sol de América (PAR), chegou ao Bolívar (Bolívia), acabou emprestado ao Atlético Nacional (Colômbia), voltou para o Bolívar e, mais recentemente, estava no Cerro Porteño (Paraguai).

O atacante viveu seu auge no Bolívar. Pelo clube, foram 82 jogos e 52 gols marcados, o que tornou Chico ídolo do clube de La Paz. Entre as atuações de destaque, ele fez um gol na vitória da sua ex-equipe sobre o Flamengo por 2 a 1, na fase de grupos da Libertadores de 2024.

Foram três temporadas no Bolívar, mas Chico nunca pensou em se naturalizar. Para ter o passaporte boliviano, ele precisaria residir por cinco anos ininterruptos no país, o que não aconteceu.

Chico cultivava o desejo de voltar ao Brasil. Na visão dele, a oportunidade de jogar pelo Mirassol veio na hora certa.

Nunca apareceu uma oportunidade como a do Mirassol, onde se encaixassem questões de tempo, contrato, projeto esportivo. Quando falamos de negócio, tudo é questão de tempo também, tem que ser no timing perfeito. Me senti pronto para voltar. Chico da Costa

RACISMO CONTRA BRASILEIROS

Chico tentou educar companheiros. Ao longo da passagem pelos clubes de fora do Brasil, o atacante sempre tentou explicar como percebe o racismo e ajudar na conscientização sobre o assunto.

Era complicado lá fora porque eu estava sozinho, não posso entrar nessas discussões às vezes políticas, mas eu sei que o brasileiro sofre com isso e é difícil fazer o outro lado entender um conceito que só a gente vive — eles não vivem. Na medida do possível, eu fui tentando explicar como funciona, o que é errado, com alguns companheiros que também buscam entender.

O brasileiro tenta educar porque a gente tem a experiência, a gente vive o racismo, temos muito da raça negra no nosso país e outros países não têm. Eles acabam não entendendo o motivo pelo qual a gente defende tanto essa luta contra o racismo. Chico da Costa

O Cerro Porteño, clube com o qual Chico ainda tem contrato, foi protagonista de episódios racistas. No mais recente deles, torcedores do clube chamaram Luighi, do time sub-20 do Palmeiras, de "macaco" durante um jogo pela Libertadores Sub-20, em março.

O Bolívar, outro ex-clube de Chico da Costa, teve um episódio mais recente, em maio. Fábio Gomes, atacante brasileiro do time, perdeu um pênalti decisivo em jogo contra o Universitário, no Campeonato Boliviano. Ele denunciou ataques racistas da própria torcida nas redes sociais após o erro.

COMEÇO AVASSALADOR NO MIRASSOL

Chico da Costa chegou ao Mirassol no mês passado e tem início avassalador. Em quatro jogos, o atacante fez três gols —só passou em branco na partida contra o Vitória, no último final de semana. Ele foi titular em todas as partidas desde que foi anunciado.

A precisão tem sido o ponto forte do jogador. O camisa 91 do clube paulista tem média de 1,1 chute por jogo. Ou seja, foi às redes em quase todos os chutes que deu desde que voltou ao Brasil.

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