Encarada como seletiva por boa parte dos participantes, embora oficialmente faça parte do Estadual da Série A, a primeira fase do campeonato começa hoje, antecipada por causa das mudanças feitas no calendário para a Copa da Rússia. Seis equipes buscarão as duas últimas vagas na fase final da competição, que terá início em 17 de janeiro. Essa etapa preliminar, disputada em turno único, reúne velhos conhecidos do torcedor carioca. Junto com os novos uniformes, eles trazem anseios renovados, em carreiras que se transformaram por completo.
Aos 35 anos, o atacante Cláudio Pitbull — que tem passagens por Grêmio, onde foi campeão da Copa do Brasil de 2001, e Fluminense — chega à Cabofriense após uma década em Portugal, onde atuou pela última vez pelo Gil Vicente. Depois de ficar parado por três anos e meio por conta de uma lesão e de ter se desmotivado por conta de problemas familiares, ele reencontrou a vocação para o esporte nos olhos emotivos, mas repletos de cobrança, da pequena Valentina, sua sobrinha e afilhada de 5 anos, que mora em Gramado (RS).
— Ela me disse: “Tio, você vai voltar a jogar? Quero te ver no estádio e entrar no campo com você”. Aquilo me quebrou, porque a idade dela é muito próxima do tempo que fiquei parado. Por isso, ela não me viu atuar. Estou muito motivado — conta Pitbull.
Motivação também não falta para Fernando de Jesus. O ex-volante de 30 anos, irmão mais novo do meia Carlos Alberto, pendurou as chuteiras em 2016. Foi depois que ele sofreu uma sequência de sete acidentes vasculares cerebrais (AVCs) que incrivelmente não deixaram qualquer sequela visível, apenas a recomendação médica para que parasse de jogar — o que Fernando considera um milagre. Mas ele não se despediu do futebol. Estudante de Educação Física, aceitou o convite de Marcelo Salles, seu ex-treinador, para reeditar a parceria no Bonsucesso, agora como auxiliar-técnico.
— Cheguei a cair na rua, passando mal, pedir socorro e ter ajuda negada, por acharem que era um mendigo ou um drogado. Encontrei agora uma maneira de continuar no esporte. Quero ser treinador e agradeço muito ao Marcelo pela chance — afirma Fernando.
América, Bonsucesso, Cabofriense, Goytacaz, Macaé e Resende são os seis participantes da primeira fase do Estadual, com cara de seletiva. Eles se enfrentam em turno único, e os dois primeiros colocados chegam à fase final do campeonato. Os quatro restantes se reúnem no Grupo X, disputado em turno e returno, para definir os dois a serem rebaixados. Eles terão que disputar a Série B1 ainda em 2018, passando por duas divisões diferentes na mesma temporada.
Os dois primeiros colocados do Grupo X estarão livres do rebaixamento, mas terão que aguardar até 2019 para voltar a campo. Foi o que aconteceu já este ano com Bonsucesso e Cabofriense.
A volta do Goytacaz à Série A após 25 anos é uma das atrações da competição. O time de Campos foi campeão da Série B1, na qual bateu o América na final, mas os dois subiram juntos. O clube da Tijuca retornou rapidamente à Série A, após sofrer em 2016 seu terceiro rebaixamento em oito anos. Agora, vive o desafio de se reerguer enquanto define o futuro de sua sede, na Rua Campos Sales.

