Poliana Okimoto, primeira nadadora brasileira a conquistar uma medalha nos Jogos Olímpicos, o bronze na maratona aquática, parou de treinar para a prova na qual é especialista. Praticamente perdeu o ano, mesmo após a façanha na Rio-2016. Sem equipe técnica e patrocinador, ficou fora da seleção do Brasil que disputou o Mundial de Esportes Aquáticos, na Hungria, algo que não acontecia há 11 anos. A maratonista, que se diz desmotivada, disputa o Troféu José Finkel, a partir de hoje, na Unisanta.
— Piorou muito. Essas mudanças influenciaram diretamente meu desempenho. Para Rio-2016 tive toda a estrutura que precisei. Agora voltei à estaca zero — lamenta a maratonista, cuja equipe multidisciplinar, com seis profissionais, era bancada pelos Correios.
A atleta, que representa a Unisanta mas treina no Clube Esperia, em São Paulo, se vê sozinha. Trabalha apenas com o marido e técnico Ricardo Cintra e um preparador físico.
— Ficamos apenas com o essencial. Chegamos a pagar uma empresa para buscar patrocínio e nada. É muito oportunismo. Só aparecem em ano olímpico — fala Cintra. — Está difícil empolgá-la, parou de treinar para maratona, que é o que faz de melhor, e focou na piscina. Infelizmente foi o que deu para fazer esse ano.
Fora do Mundial
Poliana competiu em Viedma, na Argentina, pelo Circuito Mundial, e foi prata (10km). Em Abu Dhabi (Emirados Árabes) teve uma intoxicação alimentar e ficou em 24.º. Disputou o Troféu Brasil nos 1.500m livre (prata), 800m livre (prata) e 400m livre (bronze). Na seletiva para o Mundial, em Foz do Iguaçu, foi terceira (10km) e não se classificou. Ela não disputou os 5km.
— Depois que não me classifiquei para o Mundial, a antiga diretoria da CBDA me informou que eu não poderia mais disputar o Circuito Mundial. Mesmo em terceiro lugar no ranking e depois do bronze no Rio. Venho entre as melhores do mundo desde 2006, quando comecei na maratona aquática. Nunca deixei de brigar por medalha em mundiais e olimpíadas. E uma única prova, em que me senti mal, nadei mal, apagou toda a minha história.
Além de Poliana, a seleção brasileira que voltou do Mundial, encerrado no dia 30, com cinco medalhas, estará na competição, incluindo os medalhistas Etiene Medeiros, Bruno Fratus, Cesar Cielo, Gabriel Santos, Marcelo Chierighini, João Gomes e Nicholas Santos. O Pinheiros é o maior vencedor, com 13 títulos, seguido pelo Flamengo (12).

