Sem camisa na última Copa, japonesa Asics planeja globalizar marca após Olimpíadas

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

31/07/2021 7h37 — em Esportes

TÓQUIO, JAPÃO (FOLHAPRESS) - Em uma noite de verão de 1949, o japonês Kihachiro Onitsuka ficou impressionado, durante o jantar, com as ventosas de um polvo absorto no vinagre. Deixou a mesa com a convicção de que o solado de um tênis deveria se assemelhar ao molusco. Assim, os atletas teriam mais equilíbrio e poder de frenagem.

Dois anos antes, Onitsuka havia contratado quatro funcionários e fundado uma fábrica de calçados esportivos na cidade de Kobe. Depois de um insucesso com o primeiro protótipo, um modelo de basquete, ele apostou na fabricação de um tênis com esponja de borracha sintética e ganhou como cliente a seleção de basquete do Japão nas Olimpíadas de 1956, em Melbourne.

Quase 20 anos depois, a Onitsuka Co. e outras duas marcas (GTO e Jelenk) se fundiram e lançaram a empresa de artigos esportivos Asics -acrônimo do ditado "Mens sana in corpore sano" (Mente sã em corpo são).

Até o final do século passado, 70% de todas as vendas da Asics eram destinadas ao mercado doméstico. Essa relação se inverteu e a marca exporta atualmente 75% dos seus produtos.

Com o duopólio da alemã Adidas e da norte-americana Nike no segmento de artigos esportivos, a japonesa corre pelas beiradas.

Líder no segmento de tênis de alta performance para corridas, está presente como parceria das maratonas de Paris, Los Angeles, Barcelona, Frankfurt e Moscou, assim como é da World Athletics (Federação Internacional de Atletismo) e da FIVB (Federação Internacional de Voleibol)

Também construiu portfólio com modalidades do golfe, esqui, vôlei e tênis, além de atletas como Novak Djokovic e a Confederação Brasileira de Voleibol. Nesta última, a Asics está presente nos uniformes da seleções masculina e feminina e nas duplas do vôlei de areia -todos candidatos a medalha em Tóquio. O futebol, claramente, não está entre as prioridades.

"Temos chuteiras, mas a nossa principal categoria esportiva é a corrida. Também trabalhamos com tênis, voleibol, handebol, rúgbi e esportes que são menos praticados no Brasil, como golfe, críquete e hóquei na grama", afirma Alexandre Fiorati, presidente da Asics na América Latina, à reportagem.

Ausente na Copa do Mundo enquanto Adidas e Nike brigam camisa a camisa pelas seleções -o próprio Japão é patrocinado pela Adidas-, a marca japonesa aposta suas fichas como patrocinadora master das Olimpíadas e Paralimpíadas de Tóquio-2020 com o propósito de massificar seus produtos, sobretudo na China e na América Latina.

Quando firmou contrato como a única marca esportiva nas Olimpíadas, a Asics faturava US$ 3.2 bilhões (cerca de R$ 17 bilhões em valores atuais) e fazia planos para chegar a US$ 10 bilhões (R$ 53 bilhões) até 2020. A meta não foi cumprida.

Nesse percurso, surgiu a pandemia de Covid-19 e, consequentemente, o adiamento do evento.

A empresa sofreu também com o recuo das vendas, principalmente na América, e os reflexos da variação cambial.

Atualmente, a Asics tem operações de vendas diretas em 32 países, entre eles o Brasil, com um faturamento de US$ 3.4 bilhões (R$ 17 bilhões). Mas há uma disparidade em comparação com a Nike, a mais valiosa neste nicho.

A empresa norte-americana, fundada em Oregon em 1972, encerrou 2020 com faturamento de US$ 44 bilhões (R$ 223 bilhões).

Pela cota máxima em Tóquio-2020, a marca japonesa desembolsou aproximadamente US$ 125 milhões (R$ 666 milhões). A marca, segundo Fiorati, tem a convicção de que, em comparação com a Copa do Mundo, o combo Jogos Olímpicos e Paralímpicos é quem mais oferece diversidade.

"No caso específico dos Jogos Olímpicos, por contar com várias modalidades esportivas, é natural comparar que são vários campeonatos mundiais acontecendo simultaneamente em um único evento, inclusive o futebol", falou o presidente.

"Esportivamente falando isso acaba dando uma abrangência maior do que a Copa do Mundo, mas culturalmente ambas são gigantes."

Recentemente, a empresa também firmou patrocínio para os paratletas brasileiros Vinícius Rodrigues (100 m do atletismo), Gustavo Carneiro (tênis em cadeira de rodas), Edwarda de Oliveira (vôlei sentado e parabadminton) e Luiza Fiorese (vôlei sentado).

"Um aspecto importante das Olimpíadas são os Jogos Paralímpicos. Ambos reforçam o esporte como elemento essencial na busca de uma vida saudável física e mentalmente. Essa filosofia está em linha com a da Asics de buscar sempre uma mente sã em corpo são", diz Fiorati.


O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

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