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Sem apoio para paralisar Brasileiro, equipes gaúchas devem ter novos adiamentos de partidas

Sem apoio para paralisar Brasileiro, equipes gaúchas devem ter novos adiamentos de partidas
Sem apoio para paralisar Brasileiro, equipes gaúchas devem ter novos adiamentos de partidas

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Enquanto as equipes gaúchas defendem a paralisação do Campeonato Brasileiro e encontram resistência dos pares em aderir à medida, novos adiamentos de partidas deverão ser necessários diante da situação precária de jogadores e funcionários dos clubes provocada pelas chuvas no Rio Grande do Sul.

Os presidentes do Grêmio e do Juventude se manifestaram nos últimos dias em favor da paralisação, alegando que o momento não permite pensar em futebol, mas não encontraram o eco esperado nos demais times da série A dos outros estados.

"Não tem clima para futebol. Temos funcionários e atletas em que os familiares perderam tudo. O principal objetivo agora é ajudar toda a comunidade envolvida com as perdas nesta tragédia. Precisamos reestabelecer o mínimo da dignidade e sobrevivência dessas pessoas", afirmou Fabio Pizzamiglio, presidente do Juventude.

O clube diz que está empenhado somente em ajudar a população de Caxias do Sul e de todo o Rio Grande do Sul. "São centenas de pessoas desabrigadas, muitos bairros e casas ainda com grandes riscos de desabamento. Não existe nenhum psicológico para ter uma partida de futebol neste momento", acrescentou o dirigente. Na véspera, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) havia anunciado o adiamento das partidas das equipes gaúchas até o dia 27 de maio.

Presidente do Grêmio, Alberto Guerra agradeceu a oferta de equipes de São Paulo e do Rio de Janeiro para a utilização pelos gaúchos de seus CTs (Centros de Treinamento) e estádios, mas ressaltou que a volta aos treinos não é uma preocupação por ora. "Sei que foi com muito carinho e empatia que vários clubes ligaram oferecendo as instalações, sei que são sinceros, mas não é o momento agora. O momento é de sobrevivência", declarou Guerra em entrevista na noite de terça-feira (7) ao Sportv.

"Não tem como pensar em treinar, onde vai treinar, quando vai treinar, com pessoas que perderam tudo, perderam familiares, perderam casa", afirmou o dirigente. "Me recuso a falar de futebol neste momento.", acrescentou o presidente gremista, que disse se sentir agredido ao ver comemorações de gols em outros estados, ao mesmo tempo em que boa parte do Rio Grande do Sul está debaixo d´água.

Sem condições de treino nos últimos dias, jogadores das principais equipes gaúchas se voltaram à mobilização aos mais necessitados, ajudando a servir o almoço em centros sociais e até levando motos aquáticas para resgatar pessoas ilhadas.

A oferta de São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Santos e Flamengo foi inclusive criticada por torcedores nas redes sociais, que a interpretaram como um posicionamento contra a pausa no campeonato, reforçando percepção da própria CBF que, ao questionar os clubes sobre a disposição em paralisar o campeonato, teve um retorno negativo da maior parte dos presidentes.

Adson Batista, presidente do Atlético-GO, foi um dos poucos dirigentes de clubes da série A do Brasileiro que se posicionou publicamente contra a paralisação do torneio. "Um problema grande não justifica criar outro grande problema. Por que o país é continental, temos 20 clubes na série A, 17 vão ter que ser sacrificados?", questionou Batista. "Parar para quê? Para ficarmos sofrendo, chorando? Não adianta", emendou o dirigente, para a revolta de torcedores na internet.

Para Eduardo Cillo, coordenador de psicologia do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), independentemente das motivações de cada um, a utilização das instalações em outros estados pode ajudar no processo de recuperação dos atletas.

"O melhor seria conseguir uma condição alternativa de treinamento, de volta à preparação, exatamente para diminuir a ansiedade, a angústia da quebra de rotina. E a gente tem que ver o que é possível, não o que é o ideal", afirma Cillo.

Uma alteração de rotina, a princípio, causa estranhamento, o lugar é diferente, as pessoas são diferentes, mas, passados alguns dias, entra num ritmo de certa normalidade, defende o coordenador. "E aí, as cabeças voltam para o lugar", diz ele, acrescentando que será necessário monitorar a evolução da situação no Rio Grande do Sul para que seja possível mensurar com alguma precisão o prazo para o retorno às atividades.

"Talvez, infelizmente, a situação piore ainda mais. Neste caso, necessitaremos de um período maior do que esses 20 dias [de adiamento]", afirma Cillo. A expectativa é que a CBF faça novos anúncios conforme a evolução do quadro no estado.

Segundo Thiago Freitas, diretor da empresa de gerenciamento da carreira de atletas Roc Nation Sports, diante da resistência dos clubes em parar o Brasileiro, é preciso levar em consideração o quanto pode ser interessante para os que estão em outras localidades terem três equipes competindo em condições inferiores de preparo, concentração e sem mando de campo -os estádios Beira-Rio e Arena do Grêmio tiveram os gramados encharcados pela água das chuvas.

"Apostaria em ao menos uma dezena de dirigentes propondo que clubes gaúchos se estabeleçam em outras praças e sigam atuando sem sua torcida em várias partidas", diz Freitas.

De acordo com o economista Cesar Grafietti, ainda não é possível fazer qualquer mensuração em relação aos estragos financeiros sofridos pelos clubes e quanto aos investimentos necessários para a reconstrução. "É muito difícil fazer cálculos sérios sem entender o que precisa ser reformado e qual o grau dos danos."

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