Início Esportes São Marcos, penta em 2002, revela ter tido medo de ser um novo Barbosa
Esportes

São Marcos, penta em 2002, revela ter tido medo de ser um novo Barbosa

Copa do Mundo

SÃO PAULO/SP   - Marcos, grande ídolo do Palmeiras, apelidado São Marcos (devido a defesas milagrosas), é um dos quatro goleiros a conquistarem a Copa do Mundo na condição de titular da seleção brasileira.

Ele ganhou no Mundial da Coreia/Japão, 20 anos atrás. Antes, Gylmar triunfou na Suécia-1958 e no Chile-1962, Félix, no México-1970, e Taffarel, nos EUA-1994.

Com a proximidade da Copa do Qatar, que começará no dia 20 de novembro, a Fifa tem publicado entrevistas, em inglês, com personagens que estiveram em Mundiais anteriores.

Uma delas é com Marcos, e chama a atenção o fato de o goleiro, um dos grandes que vi jogar, afirmar que estava muito apreensivo antes da decisão, no Japão, contra a Alemanha.

Ele declarou que temia decepcionar os companheiros –craques do nível de Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Roberto Carlos e Cafu– caso não fosse bem na partida decisiva no Estádio Internacional de Yokohama.

"Eu estava realmente preocupado. A pressão que você sofre jogando pela seleção brasileira é imensurável. Você consegue imaginar isso em uma final de Copa do Mundo?", disse o então camisa 1.

"A mídia brasileira e os torcedores são incomparavelmente exigentes. Fiquei preocupadíssimo no vestiário. Eu jogava em uma seleção maravilhosa, cheia de estrelas de renome, e eu não era ninguém. Eu estava muito preocupado em decepcioná-los."

Marcos citou o caso de Barbosa, o goleiro titular na Copa do Mundo de 1950, no Brasil, que no jogo decisivo falhou no chute de Ghiggia que resultou no gol da vitória por 2 a 1 do Uruguai no Maracanã lotado.

"No Brasil se exige muito do goleiro, eles são sempre o bode expiatório. Em 1950, o Brasil era o grande favorito. Infelizmente o Barbosa errou e perdemos. Eu o conheci em um evento e jamais esquecerei o que me contou. As pessoas apontavam para ele nas ruas e diziam aos filhos: ‘O Brasil perdeu a Copa por causa daquele cara’. Ele era um grande goleiro e isso era injusto."

Muito preocupado

O paulista de Oriente (457 km a noroeste de São Paulo), hoje com 49 anos, prosseguiu seu relato: "Eu estava muito preocupado que o mesmo acontecesse comigo. Isso foi agravado pelo fato de que meus dois reservas eram goleiros excelentes, então qualquer erro que eu cometesse todos diriam: ‘Deveria ter jogado o Dida. Deveria ter jogado o Rogério [Ceni]".

Marcos ganhou a titularidade na seleção depois que Luiz Felipe Scolari assumiu o comando da equipe, a cerca de um ano da Copa de 2002, no lugar de Emerson Leão.

"Você é meu goleiro, acredito no seu potencial", disse o técnico ao arqueiro.

Felipão depositava grande confiança no guarda-metas que, sob sua batuta no Palmeiras, conquistara a Libertadores de 1999.

Fifa elege goleiro errado

A pressão em Marcos era de fato enorme, até porque o goleiro do adversário na decisão era Oliver Kahn, capitão da Alemanha e que havia sido eleito, antes de a final ser realizada, o melhor jogador da competição.

Um dos maiores erros cometidos pela Fifa, aliás.

Kahn falhou feio ao não encaixar um chute de Rivaldo e, no rebote, Ronaldo abriu o placar para o Brasil. O mesmo Ronaldo ampliaria para 2 a 0, resultado final do jogo.

Por seu lado, Marcos não viu seus fantasmas se concretizarem. Estando nervoso ou não, quando exigido, cumpriu o que dele se esperava.

Primeiro, com a decisão sem abertura de contagem, espalmou cobrança de falta de Neuville –a bola ainda tocou na trave.

Depois, já perto do fim do segundo tempo, e com o Brasil em vantagem (2 a 0), fez defesa difícil em finalização na grande área de Bierhoff, impedindo que a Alemanha empreendesse um "sufoco" em busca da igualdade que resultaria em prorrogação.

Finalizada a partida, Marcos conta que correu até Felipão para agradecer. "Obrigado por acreditar em mim quando nem eu mesmo acreditava."

Marcos terminou a Copa de 2002 com quatro gols sofridos em sete partidas.

Um na estreia, contra a Turquia (Brasil 2 a 1, de virada), dois no terceiro jogo, contra a Costa Rica (Brasil 5 a 2), e um nas quartas de final, contra a Inglaterra (novamente Brasil 2 a 1, de virada).

Em nenhum dos gols a culpa foi dele.

Além da final, Marcos deixou o campo sem ser vazado diante de China (primeira fase, 4 a 0), Bélgica (oitavas de final, 2 a 0) e Turquia (semifinal, 1 a 0).

 

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!