São pouco mais de três milhões de habitantes, a menor população entre as 32 nações classificadas para a Copa, mas o resistente ninho de craques do futebol uruguaio surpreende. A chocadeira celeste segue: Federico Valverde, de 19 anos, vai à sua primeira Copa, na Rússia, e pode ser o novo grande craque da bicampeã mundial, dando seguimento à história que já teve Francescoli, Recoba, Fórlan, e atualmente tem Suárez e Cavani.
Cria do Peñarol, deixou o futebol uruguaio assim que fez 18 anos. O destino foi o Real Madrid, onde integrou o time B na primeira temporada. Para ganhar experiência, foi emprestado ao La Coruña, tornando-se o titular mais jovem do Campeonato Espanhol. Na Copa, será o uruguaio mais a disputar um Mundial nos últimos 45 anos. Tanta grandeza contrasta com o apelido que vem da escolinha de futebol na infância.
— “Passarinho”, porque eu era muito pequeno. Meu pai não gostava muito, mas ficou, eu me acostumei. Na Espanha, poucos me chamam assim, já me conhecem como Fede — disse à revista uruguaia “Zaga”.
E a transição de “Pajarito” para Fede, ainda incompleta, acontece principalmente em Coruña. Quando foi para Madrid, o jovem levou os pais. Com a mudança para uma nova cidade, os pais quiseram voltar para o Uruguai, deixando-o sozinho na Espanha, mas ele não aceitou. Pediu que morassem separados, mas na mesma cidade. O Passarinho saiu do ninho, mas ele ainda fica a 20 minutos de carro de distância.
— O que Federico amadureceu nesse tempo é impressionante. E se nota no campo. É o que o Real quer. Até voz de homem, agora ele tem — diz Edgardo Lasalvia, seu representante.
Antes do amadurecimento na Europa, Federico viveu momento marcantes e engrandecedores na Coreia do Sul e no Uruguai. Na Ásia, comandou o time até as semifinais da Copa do Mundo sub-20 deste ano. A queda na semifinal não impediu a Fifa de elegê-lo o segundo melhor jogador da competição.
Oscar Tábarez resolveu chamá-lo para a seleção principal já na convocação seguinte. Na apresentação, um jornalista perguntou ao garoto se estrear contra Messi (o jogo era contra a Argentina) seria algo especial.
— Não sonho jogar contra Messi. Sonho em entrar em campo ao lado de Suárez e Cavani — respondeu.
No banco contra a Argentina, não precisou de Messi para realizar o sonho na sua estreia, dias depois, contra o Paraguai. Foi titular (ao lado dos dois atacantes), marcou um dos gols da vitória uruguaia (que praticamente selou a classificação à Rússia), e foi escolhido pela Fifa o melhor jogador da rodada das eliminatórias.
Elogiado, seguiu como titular nas duas rodadas finais, ajudando a garantir a passagem de Montevidéu até Moscou para o Mundial e o mais que certo voo do Passarinho até a Rússia, onde quer cantar mais alto. A história das Copas ensina que duvidar das proezas do ninho uruguaio é sempre mau negócio.

