O ex-atleta de futebol americano OJ Simpson teve aceito seu pedido de liberdade condicional em uma audiência nesta quinta-feira em Nevada, nos EUA. Após cerca de 40 minutos de deliberação, uma comissão formada por quatro julgadores decidiu aceitar o pedido da defesa de Simpson, preso desde 2008 por um assalto à mão armada.
OJ Simpson, preso na penitenciária de Lovelock, em Nevada, participou da audiência através de videoconferência. Em um depoimento que durou cerca de meia hora, OJ repetiu que jamais teve intenção de cometer crimes e disse que cumpriu tempo suficiente na cadeia. O ex-atleta mostrou tranquilidade e até bom humor durante a audiência.
— Peço perdão pelas coisas terem acontecido desta forma. Passei nove anos sem criar justificativas para nada. Quando cheguei aqui, disse ao diretor da prisão que eu não seria um problema. Acho que eu manti minha palavra — declarou OJ Simpson.
Todos os quatro membros da comissão julgadora aprovaram o pedido de liberdade condicional. Com o sinal verde da comissão, OJ Simpson se credencia para deixar a cadeia a partir de 1º de outubro deste ano.
Hoje com 70 anos, OJ Simpson está preso desde 2008 por um assalto à mão armada em um hotel-cassino de Las Vegas, nos EUA. O ex-jogador de futebol americano alegou que tentava impedir a venda de artigos esportivos que pertenciam a ele, além de itens de seu acervo pessoal. Simpson foi condenado a 33 anos de prisão, mas se credenciou para pedir liberdade condicional por bom comportamento, após ter cumprido nove anos na cadeia.
Antes de ser condenado pelo assalto, Simpson já havia ganhado notoriedade por outros problemas com a Justiça. Ele foi acusado, em 1994, pelo assassinato de Nicole Brown, sua ex-mulher, e Ronald Goldman, que estava em sua companhia. Simpson acabou absolvido. O julgamento, transmitido pelas principais redes de TV dos EUA em 1995, tornou-se um marco midiático e motivou diversas produções audiovisuais — a última delas, “O Povo contra OJ Simpson”, recebeu o neste ano.
O passado turbulento de OJ Simpson e a notoriedade do julgamento nos anos 90 eram vistos como fatores que poderiam pesar contra a tentativa de obter liberdade condicional. Antes do início da audiência, os membros da comissão exibiram uma pilha na qual disseram haver “milhares” de cartas enviadas por pessoas favoráveis e contrárias à libertação de Simpson. Muitas cartas, segundo os comissários, mencionavam o julgamento de 1995 — eles garantiram que nada disso seria usado na decisão sobre a liberdade condicional de OJ Simpson nesta quinta-feira.
Além de OJ Simpson, sua filha Arnelle Simpson também prestou depoimento diante da comissão nesta quinta. Ela reconheceu que o pai “não tomou as melhores decisões” e que isso ocasionou sua prisão, antes de fazer coro pela liberdade.
— Como seus familiares, nós reconhecemos que ele não é um homem perfeito. Ele é meu melhor amigo. Ninguém sabe o que ele passou. Queremos apenas que ele volte para casa — afirmou Arnelle.
A audiência também contou com um depoimento de Bruce Fromong, amigo de OJ Simpson e uma das vítimas do assalto à mão armada em um hotel-cassino de Las Vegas. Frogmong disse que, na sua opinião, OJ foi “enganado” por terceiros e pensou erroneamente que itens de seu acervo pessoal seriam vendidos sem seu conhecimento.
— Sinto que OJ foi enganado. Vou deixar algo claro para vocês: ele nunca apontou uma arma na minha direção — frisou Fromong.

