Se hoje é um dos destaques do Fluminense, que enfrenta o Cruzeiro, às 16h, no Maracanã, Ayrton Lucas atraiu as atenções por outro motivo quando chegou a Xerém, vindo de Natal, em 2015. Seja para os torcedores ou para os companheiros, era difícil não parar os olhos no enorme beijo tatuado em seu pescoço. O desenho, que lhe rendeu apelidos ainda em vigor como “beijoqueiro” e “beijinho”, não ficou como ele gostaria. A ideia original era reproduzir a boca de sua mãe.
— O que passei para o tatuador era para ser um pouco menor. Porque não existe a pessoa ter um lábio desse tamanho — recorda o jogador, que hoje não fala em removê-lo. — Minha mãe é toda orgulhosa.
Em vez de apagar o beijo, Ayrton desviou o alvo dos olhares. Fez com que os comentários passassem a ser sobre seu futebol. De volta após um ano no Londrina, o lateral-esquerdo iniciou 2018 numa disputa pela vaga com Marlon. Em março, já era titular absoluto. E terminou o Estadual na seleção do campeonato:
— Eu me lembro muito bem dos outros anos aqui, dos jogos em que entrava e era vaiado pela torcida. Você vê que foi um passo muito grande. Acho que estou no caminho certo.
Possível venda no meio do ano
A passagem pelo Londrina, onde conquistou a Primeira Liga, foi fundamental para esta guinada. No clube paranaense, ganhou confiança para desenvolver suas habilidades ofensivas, sem esquecer da marcação. Dos 52 jogos em que atuou em 2016, só em um deles não foi titular. A vocação para o ataque se encaixou com o esquema de Abel Braga. Com três zagueiros, o sistema exige que os laterais do Fluminense saibam avançar.
O sucesso do atleta é consequência da política do clube de emprestar as crias para que ganhem rodagem e retornem amadurecidas. Embora nem sempre atinja seu objetivo final, a estratégia conta com outros exemplos bem-sucedidos, como Wellington Nem, destaque em 2012 após passagem pelo Figueirense, e Pablo Dyego, que cresce no time deste ano após série de empréstimos.
— Posso dizer que voltei bem diferente — diz Ayrton, hoje o mais citado em especulações sobre uma possível venda no meio do ano.
A ida para a Europa está nos planos do jogador, que tem como empresário Carlos Leite, conhecido pelo bom relacionamento com clubes do Velho Continente. Mas, em seu sonhos, não embarca antes de conquistar uma taça pelo Fluminense. Só aí, então, deixa um beijo para os que ficam.

