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No Flamengo, organizadas têm 5% de ingressos por jogo e venda é controlada por vários dirigentes

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A política implementada no Flamengo para a participação de torcidas organizadas na compra de ingressos através de um plano corporativo de sócio-torcedor sofreu um golpe com a prisão do funcionário Cláudio Tavares. Com 40 anos de clube, ele é responsável pela entrega de bilhetes aos membros das facções, mas recebe ordens da diretoria e respeita o acordo entre clube e torcida sobre cota de ingressos no Maracanã e Ilha do Urubu. Depois de entregues, com recibo, não há controle do que é feito com as entradas.

O organograma para a liberação é extenso. Fred Luz, diretor-geral do Flamengo, é o responsável por negociar com a torcida quantos ingressos serão comprados dependendo da praça e da demanda dos jogos. Por contrato, aprovado pelo Conselho Diretor, e capitaneado à época pelo então vice-presidente Rafael Strauch, a quantidade é de no máximo 5% do setor do estádio. No Maracanã, o número chega a 800 ingressos, na Ilha quase metade. Mas é comum as torcidas requisitarem mais para comprar e o clube distribuir a partir dos pedidos.

A relação com a torcida tornou-se mais empresarial a partir dos novos planos de sócio-torcedor, com CNPJ e tudo. Cada organizada tem um plano corporativo designado, e a Raça Rubro-Negra, que teve um dos líderes preso, é hoje a que tem mais ingressos disponíveis para compra (cerca de 500). Mesmo com um integrante preso, Alesson Souza, liberado ontem, a organizada estará na arquibancada no jogo de hoje contra o Independiente e procedeu da mesma forma em relação ao plano corporativo mesmo após a operação.

As outras três são Urubuzada, Fla Manguaça e Falange. A Torcida Jovem, banida dos estádios, teve o contrato interrompido.

Depois do acordo de quantos ingressos são liberados para compra, o procedimento passa ao departamento de marketing. Bruno Dias, que coordena os planos corporativos, se reporta ao diretor Bruno Spindel. Dias recebe das organizadas as relações de cartões para que sejam validados mediante a compra. Caso estejam em dia, o processo é repassado a Imply, que faz a recarga dos cartões. A empresa teve três funcionários presos. Segundo fontes, porém, alguns cartões se perdem e o crédito é feito na forma de alguns ingressos impressos. Com tudo liberado pela diretoria, a retirada, da forma que for, é feita no estádio, com o funcionário Claudio Tavares.

Recentemente, o Grupamento Especial de Policialmento em Estádios solicitou que o Flamengo priorizasse a impressão de ingressos para facilitar a fiscalização. A dificuldade é no controle dos ingressos e cartões a partir do momento em que o clube não participa do processo. O Flamengo aguarda as investigações para saber se há algum elemento que possa colocar o funcionário Claudio Tavares em situação complicada. No clube, o clima é de comoção pela prisão e pela idoneidade.

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