RIO, 21 (AG) - Disposição renovada e fôlego de sobra no trabalho. É o que se espera de um pós-férias. Na Fórmula-1, no entanto, nem sempre é assim. A parada durante o verão europeu nem sempre faz bem a pilotos e a equipes. Que o diga o alemão da Ferrari, Sebastian Vettel, que encerrou o GP da Hungria, em julho, com 14 pontos de vantagem sobre Lewis Hamilton, da Mercedes.
Depois do período de descanso, ele viu o inglês esmagar a diferença, vencer quatro das últimas cinco corridas e abrir 59 pontos de frente. Neste domingo, inclusive, o tricampeão, dependendo de uma combinação de resultados, pode ganhar o quarto título no GP dos EUA, a partir das 17h. A Sportv transmite.
O alemão, porém, ainda não jogou a toalha. Apesar da queda de rendimento dos Ferrari - algo já alertado previamente pelos especialistas - e a falta de sorte ou até mesmo imperícia em algumas corridas, Vettel reforça que a equipe continua o trabalho sem grandes abalos.
- Nossas chances são mais escassas agora do que eram algumas corridas atrás, mas ainda há a chance, e estamos aqui por isso. Seria completamente errado mudar o pensamento. Nós temos um ótimo carro e poderíamos ter ganhado as duas as últimas corridas. Não aconteceu, mas isso não significa que não possamos vencer as próximas corridas - disse o alemão, em entrevista coletiva antes dos primeiros treinos nos Estados Unidos. - Mas, em geral, somos a equipe que mais progrediu. Todo mundo esperava que a RBR fosse muito forte nesta temporada, mas não foram, pelo menos não no início. Era fato que a Mercedes seria forte, mas ninguém esperava que fôssemos tão fortes quanto estamos. Ainda há quatro corridas à nossa frente e temos um ótimo carro.
Vettel não está sozinho na "maldição" pós férias. Na última década, alguns pilotos viraram o placar no "segundo turno" da Fórmula-1 e foram campeões. Foi assim, inclusive, que o alemão alcançou o tricampeonato. Em 2012, ele estava 42 pontos atrás de Fernando Alonso, então na Ferrari, ao fim do GP da Hungria.
O circo se desmontou e só retornou na Bélgica. Após cinco corridas (mesmo período de agora), Vettel somou 93 pontos contra 45 do espanhol, e assumiu a liderança com seis pontos de frente a quatro provas do fim. Na última, no Brasil, ele se tornaria o mais jovem piloto a conquistar três títulos da categoria.
Dois anos depois, foi a vez de Nico Rosberg ver o campeonato se esvair. Também no GP da Hungria, o alemão colocou 11 pontos de diferença entre ele e Hamilton, seu companheiro de equipe. No retorno, o inglês, assim como agora, venceu quatro de cinco corridas e virou o jogo a seu favor, com 17 pontos de frente. Na ocasião, faltavam três GP para o encerramento da temporada, mas ele não poderia ficar com o título antecipado, pois a última prova valia 50 pontos para o vencedor.
Contudo, neste período, nunca havia tido uma virada tão surpreendente a ponto de o rival poder ser campeão com antecedência. Desde a volta das férias, Hamilton marcou 118 pontos - quatro vitórias e um segundo lugar. Vettel fez apenas 45.
A queda, num campeonato que o vencedor leva 25 pontos, explica-se sobretudo pelos abandonos dos pilotos na reta final da temporada. Por motivos diversos. Vettel, por exemplo, não completou duas corridas: ou seja, 50 pontos a mais para Hamilton. Em Cingapura, sobrou para o alemão, que se viu envolvido no acidente entre Kimi Raikkonen e Max Verstappen, foi tocado e saiu.
Já no Japão, ele largara em terceiro, mas um problema mecânico o tirou da corrida logo no início. Com Rosberg, em 2014, o sistema elétrico o deixou na mão em Cingapura. Já Alonso ficou fora em duas ocasiões: na Bélgica, envolvido num acidente de terceiros na largada; e no Japão, quando se chocou com Raikkonen e teve pneu furado.

