Palco da final da Sul-Americana, na próxima quarta-feira, entre Flamengo e Independente, o Maracanã vê 2017 acabar sem saber o seu futuro. A novela, que se arrasta desde 2015 — quando a Odebrecht anunciou o interesse de deixar a concessão —, está tão longe de acabar que a empreiteira já se senta à mesa com clubes, patrocinadores e investidores para fechar contratos para 2018. A empresa e os clubes já não acreditam que a nova licitação prometida pelo governador Luiz Fernando Pezão aconteça em seu mandato.
Flamengo e Fluminense já discutem com a administradora contratos e redução de custos para o ano que vem. Até o Vasco já teve conversas — ao menos, a oposição. Classificado para a Libertadores, o clube pretende mandar partidas no estádio, posição do candidato Julio Brant, que já demonstrou interesse em administrar o Maracanã com o Flamengo, sem descartar São Januário. Já a diretoria comandada por Eurico Miranda não confirmou conversas com a Odebrecht e nem interesse em administrar o estádio. Hoje, o Vasco negocia jogo a jogo.
Apesar de o governo ter um edital pronto, Pezão não tem interesse em resolver a questão. Os clubes estão dispostos a participar da concorrência, “se os termos forem favoráveis”. Sem conhecer o edital, os interessados criticam o estudo de viabilidade econômica feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que serve de base à nova licitação. Empresários e dirigentes argumentam que a projeção foi feita antes da crise e as contrapartidas estariam irreais. Eles defendem que o equilíbrio financeiro só será possível com a redução do custo de manutenção e jogos com público acima de 22 mil pagantes. O Maracanã, reformado por R$ 1,26 bilhão e que iniciou o ano em estado total de abandono, encerra 2017 com o maior número de partidas entre todos os estádios do país — 43, incluindo o da próxima quarta.
Para 2018, a Odbrecht já fechou contratos de festa, show e jogos. Nesta semana, confirmou o show do Roger Walters em outubro. Shows de Pearl Jam, Phill Collins e Foo Fighters também já estão agendados. O que confirma o que os clubes já previam: o Maracanã continuara com a Odebrecht até o próximo governo.
O último (e terceiro) prazo dado pelo governador para lançar o edital terminou no fim de novembro. Havia a preocupação de o estádio voltar a ser administrado pelo estado, por causa do processo de arbitragem que trava com a Odebrecht, mediado pela FGV, e que trata da dissolução do contrato de administração do Maracanã. A saída de Leonardo Espíndola da Procuradoria-Geral do Estado paralisou o processo.
Caso deixe o Maracanã em 2019, a Maracanã S.A. (Odebrecht e Aeg) terá administrado o estádio por dois anos sob efeito de liminar. Hoje, a concessionária mantém o Maracanã em funcionamento com apenas cinco funcionários próprios e sem investimentos.

