Mais próximo do Z-4 do que da zona de classificação para a Libertadores, o Fluminense aposta em sua boa campanha no Maracanã para aumentar suas pretensões no Brasileiro. A partir desta quinta, serão dois jogos seguidos no estádio. Às 19h, enfrenta o Vitória. No domingo, faz o clássico contra o Botafogo. Os 63% de aproveitamento em casa alimentam as esperanças tricolores. Mas, ao mesmo tempo que representa um ganho técnico, o local significa dor de cabeça. Afinal, num momento em que a crise financeira divide os holofotes com o futebol, nem o estádio escapa ileso.
Cada vez que atua em casa, o Fluminense vê sua dívida com a concessionária que administra o estádio aumentar. A diretoria, inclusive, foi notificada pela Maracanã S.A, e já houve tentativas de solucionar o problema. Uma delas foi a maior setorização das arquibancadas, o que permite ao tricolor não utilizar alguns setores em jogos de menor apelo. Mas, só no Brasileiro, o clube acumula prejuízo de R$ 1,2 milhão com partidas.
A equação que envolve as despesas com o estádio e o público do Fluminense não fecha, a ponto de os fornecedores que atuam na operação dos jogos reclamarem por terem que trabalhar nas partidas do tricolor. Isso porque quando o clube não paga sua dívida com a Maracanã S.A., a concessionária também se enrola para pagar a eles. Ou seja: enquanto a torcida vibra com dois compromissos seguidos em casa, os responsáveis pela segurança e pelos bares, por exemplo, lamentam.
Esta é apenas uma das facetas da crise financeira tricolor, que também atinge quem está dentro das quatro linhas. Próximo de completar três meses de atraso no pagamento dos direitos de imagem e dois no do salário registrado em carteira, o Fluminense foi cobrado publicamente pelos jogadores. Embora tente tranquilizar os atletas, a cúpula não deu prazo para quitar a dívida, o que gerou apreensão no elenco. Nesta quarta, o volante Richard pediu que alguém do clube se posicione.
— A gente depende disso. Não posso ser hipócrita em falar que não faz falta. Confiamos (na direção), mas alguém tem de vir e falar algo. Independentemente do que ocorre fora, temos nos dedicado e corrido em campo. O grupo está unido, e estamos focados nos jogos — desabafou o volante, ao ser perguntado sobre o assunto em entrevista coletiva. — Os dias vão passando. A gente quer uma posição do lado de fora. Por mais que a gente esteja focado e eles tenham falado, queremos algo mais concreto.

